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Analistas sauditas atacam publicamente os Emirados Árabes

Manifestantes iemenitas que são leais ao grupo Houthi montam em um veículo depois de participarem de uma manifestação realizada contra o anúncio da normalização diplomática entre Israel e a Emirados Árabes, em 22 de agosto de 2020, em Sana'a, Iêmen [Mohammed Hamoud/Getty Images]

Comentaristas pró-governo na Arábia Saudita estão criticando publicamente o papel dos Emirados Árabes no Iêmen, um movimento raro que reflete tensões políticas e econômicas entre os dois aliados do Golfo que também levaram a um impasse aberto sobre a política do petróleo, relatou a Reuters.

A Arábia Saudita está tentando conter uma luta pelo poder no sul do Iêmen entre o reconhecido governo apoiado por Riad e o principal grupo separatista apoiado pelos Emirados Árabes – que corre o risco de ampliar uma guerra da qual a Arábia Saudita está lutando para sair.

“Se Abu Dhabi não ajudar na implementação do acordo de Riad em relação à crise do sul do Iêmen, e continuar obstruindo-o, acho que as relações entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes continuarão a ser testadas”, disse o escritor político Suleiman Al-Oqeliy, que muitas vezes reflete as posições oficiais sauditas, disse em um Twitter no sábado.

“O Reino, o governo e o povo não permitirão que ninguém mexa na segurança do Iêmen e prejudique-o. Sua paciência pode ser grande, mas tem limites”, tuitou Abdullah Al-Hatayla, editor-adjunto do jornal semioficial Okaz da Arábia Saudita.

A mídia social é monitorada de perto por autoridades na região do Golfo Árabe, e comentaristas pró-governo da Arábia Saudita geralmente evitam criticar os aliados do reino.

As autoridades sauditas e dos Emirados Árabes não responderam imediatamente ao pedido de comentários da Reuters.

Os Emirados Árabes fazem parte da coalizão militar liderada por Riad que interveio no Iêmen em 2015 contra os houthis alinhados ao Irã que depuseram o governo da capital Sanaa.

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Abu Dhabi encerrou sua presença militar em 2019, sobrecarregando Riad com uma guerra cara e impopular, mas continua a dominar os combatentes iemenitas que armou e treinou.

Entre eles estão as forças do Conselho de Transição do Sul (STC, na sigla em inglês), também membros da coalizão, que tomaram duas vezes o porto de Aden ao sul, a sede provisória do governo apoiado pela Arábia Saudita, o que levou Riad a intermediar um acordo de divisão de poder que tem ainda a ser totalmente implementado.

A crítica dos comentaristas vem depois de uma disputa pública entre Riad e Abu Dhabi que atrapalhou as configurações de política da OPEP+, grupo que inclui a OPEP e seus aliados. A OPEP+ garantiu o acordo para aumentar o fornecimento de petróleo quando se reuniu novamente ontem, depois que os dois produtores do Golfo chegaram a um acordo.

No entanto, analistas dizem que o aumento da competição econômica está revelando as diferenças entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, à medida que o reino se move para desafiar o domínio de seu vizinho como centro de negócios, comércio e turismo da região.

Pântano saudita no Iêmen [Carlos Latuff/Monitor do Oriente Médio]

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