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Acadêmico britânico escapa de ação disciplinar por ‘antissemitismo’

Universidade de Middlesex, Reino Unido [Wikipedia]

Raza Kazim, professor do curso de matemática da Universidade de Middlesex, no Reino Unido, foi absolvido de uma potencial ação disciplinar sob difamações feitas pelo controverso grupo antipalestino Campanha Contra o Antissemitismo (CAA).

O caso foi descrito como último exemplo da ameaça imposta à liberdade de expressão pela definição de antissemitismo da Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA).

Kazim foi informado de eventual ação disciplinar por discriminação antijudaica, conforme o conceito estabelecido pela IHRA. Middlesex é uma das diversas universidades britânicas a adotá-lo, apesar de refutado por acadêmicos, advogados e grupos de direitos humanos.

A IHRA associa críticas fundamentadas e o boicote legítimo a Israel com o antissemitismo.

Em recente campanha em defesa da liberdade de expressão, mais de duzentos especialistas propuseram uma noção distinta de antissemitismo, para proteger o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) e outras ações dos esforços repressivos do lobby sionista.

Iniciativas para suprimir a crítica a Israel via adoção do conceito da IHRA ganharam tração à medida que a prática de apartheid e racismo institucionalizado pela ocupação israelense tornou-se incontestável perante a opinião pública.

Em abril, a organização internacional Human Rights Watch (HRW) juntou-se a outros grupos de destaque para declarar que Israel efetivamente comete crimes de apartheid e perseguição étnica nos territórios palestinos ocupados — incluindo durante a Nakba, em 1948.

Ainda antes do novo relatório do HRW, a ong de direitos humanos israelense B’Tselem denunciou Israel como estado de apartheid — “que promove e perpetua a supremacia judaica em todo o território entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão”.

LEIA: Estudantes britânicos pedem às universidades que não adotem uma definição controversa de antissemitismo

Em consonância com um relatório das Nações Unidas de 2017, que concluiu que Israel exerce apartheid contra os palestinos, a B’Tselem desmentiu a falácia de que a ocupação representa uma democracia dentro da Linha Verde, determinada pelo armistício de 1949.

Em busca de ação disciplinar contra Kazim, a CAA o denunciou por antissemitismo com base em seu perfil no WhatsApp: “O mundo parou o nazismo, parou o apartheid. Deve agora parar o sionismo. O legado dos assentamentos coloniais é uma civilização de morte”.

A CAA — que monitora a adoção do conceito da IHRA nas universidades britânicas — condenou os comentários de Kazim por vincular o sionismo com o nazismo. Seu envolvimento com um grupo de solidariedade ao povo palestino também foi mencionado.

Após inquérito interno, entretanto, a Universidade de Middlesex concluiu que o controverso código não foi violado e optou por não tomar qualquer ação punitiva.

“Fico feliz que limites foram determinados e que posso continuar a fazer meu trabalho. Esta decisão é um grande alívio para mim e minha família”, declarou Kazim.

Em 2020, o status da CAA como fundação beneficente foi refutado pelo grupo Jewish Voice for Labour (JVL), entre outros, em carta ao comitê responsável do parlamento britânico.

LEIA: Escritores e acadêmicos israelenses alertam o TPI para não confiar em Israel para investigar seus crimes de guerra

Ao citar “ataques difamatórios” contra o ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn, as organizações judaicas argumentaram que a CAA mantém um caráter “partidário”, em contravenção da legislatura, segundo a qual órgãos beneficentes não podem intervir politicamente.

A Jewish Voice for Labour prosseguiu ao descrever a iniciativa sionista como “organização altamente política e partidária que não faz jus ao status de fundação beneficente” e, portanto, viola prerrogativas de isenção tributária sob tal distinção.

Representantes da Campanha Contra o Antissemitismo negam as acusações e insistem tratar-se de “uma agência beneficente apartidária dedicada a combater o antissemitismo em toda a sociedade, incluindo todos os partidos políticos, sem propensão ou temor”.

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