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Sírios descrevem fechamento da travessia de Idlib como ‘genocídio’

Manifestação reivindica que seja mantida uma resolução da ONU para autorizar a passagem de ajuda humanitária na travessia de Bab al-Hawa, na fronteira Síria-Turquia, à província de Idlib, em 2 de julho de 2021 [Omar Haj Kadour/AFP via Getty Images]
Manifestação reivindica que seja mantida uma resolução da ONU para autorizar a passagem de ajuda humanitária na travessia de Bab al-Hawa, na fronteira Síria-Turquia, à província de Idlib, em 2 de julho de 2021 [Omar Haj Kadour/AFP via Getty Images]

Refugiados sírios expulsos de suas terras pelos sucessivos ataques do regime de Bashar al-Assad e seus aliados descreveram o fechamento da travessia de Bab al-Hawa, na fronteira com a Turquia, como “genocídio”, segundo informações da agência Anadolu.

A província de Idlib, onde localiza-se a travessia, é parte de uma zona de desescalada estabelecida por um pacto entre Rússia e Turquia. A área foi submetida a diversos acordos de cessar-fogo, regularmente violados pelo regime e seus aliados.

Os milhões de civis deslocados na região receiam ainda maior sofrimento após a Rússia impor o fechamento de Bab al-Hawa à ajuda humanitária, em meio à guerra civil ainda em curso, conforme resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Bab al-Hawa fica do outro lado da província de Hatay, Turquia.

Turki Sultan, refugiado deslocado por ataques do regime à sua aldeia em Idlib, em 2019, relatou à Anadolu ter se abrigado no campo de Mahatta, na região de fronteira. Sultan reiterou que a travessia humanitária representa a “sobrevivência” da população civil na região.

“Caso a Rússia consiga isolar a assistência via governo de Assad, será como uma sentença de morte às cinco milhões de pessoas que vivem em Idlib”, declarou o refugiado.

“A Rússia nos deslocou com bombardeios, nos matou e destruiu nossas casas”, prosseguiu Sultan. “Como se não bastasse, voltou seus olhos à ajuda humanitária que chegava a nós de Bab al-Hawa e agora brincam com a vida de crianças e idosos”.

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Husain Ali Berjus, outro refugiado, comentou que sua casa foi destruída por ataques ordenados por Damasco e Moscou, também em 2019.

“Eles nos bombardearam, destruíram nossas casas, nos expulsaram de nossas terras”, recordou Berjus. “Agora vão além e cobiçam remédios e alimentos que vêm até nós. Não está certo que a Rússia possa fazer isso!”

Abdulsattar Humayd, deslocado junto de sua família do distrito de Saraqeb por ataques da coalizão composta por forças do regime, tropas russas e grupos paramilitares iranianos, sobreviveu até então graças à ajuda proveniente de Bab al-Hawa.

“O fechamento do portão de Bab al-Hawa pelos russos significa organizar um verdadeiro genocídio à população deslocada”, enfatizou Humayd.

Devido à grave crise social que aflige os refugiados, Humayd destacou que seus filhos recebem educação e saúde somente graças ao socorro humanitário.

Muhammad Ali, também refugiado de Saraqeb, ressaltou ainda que a assistência proveniente de Bab al-Hawa é fundamental para permitir a subsistência da população de Idlib.

Ali corroborou a tese de que a distribuição de ajuda das Nações Unidas via Damasco, como proposta pela Rússia, significa “recompensar massacres” cometidos por Assad.

A Síria é assolada pela guerra civil desde o início de 2011, quando forças do regime reprimiram violentamente protestos pró-democracia. Centenas de milhares foram mortos e mais de dez milhões de pessoas foram deslocadas, segundo estimativas da ONU.

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