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Europa testa armas sônicas contra refugiados, usadas nos massacres do Egito

Polícia reprime protesto em solidariedade aos refugiados, na praça Heldenplatz, em Viena, Áustria, 3 de outubro de 2020 [Askın Kıyagan/Agência Anadolu]
Polícia reprime protesto em solidariedade aos refugiados, na praça Heldenplatz, em Viena, Áustria, 3 de outubro de 2020 [Askın Kıyagan/Agência Anadolu]

Países europeus decidiram testar um “canhão de som” — que emite um ruído agudo, tão alto quanto o motor de jato — para reprimir refugiados e requerentes de asilo nas regiões de fronteira, conforme vídeo divulgado pela rede de notícias Deutsche Welle.

Entre 2021 e 2027, a União Europeia planeja investir quase €35 milhões (US$42.7 milhões) em segurança de fronteiras, segundo o relatório.

Além das armas sônicas, serão adquiridas câmeras de vigilância, drones e um sistema de inteligência artificial para conduzir interrogatórios.

O mesmo canhão de som foi utilizado por forças militares do Egito no massacre de Rabaa, em 2013, que resultou na morte de cerca de mil manifestantes que denunciavam o golpe de estado em curso no país, observou o jornalista Abdelrahman Ayyash.

“Chocante — eu abri o vídeo antes mesmo de ler o tuíte e a primeira coisa que me veio à mente foram os ruídos de fundo do massacre de Rabaa”, comentou um usuário das redes sociais. “Pergunto, quando nos livraremos deste trauma?”

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Outro cidadão egípcio também observou recordar relances da chacina ao ver o vídeo.

Uma análise divulgada em maio pelo jornal britânico The Guardian revelou que estados-membros da União Europeia aplicaram táticas brutais para reprimir ao menos 40 mil requerentes de asilo nas fronteiras do bloco, durante a pandemia de covid-19.

Itália, Malta, Grécia, Croácia e Espanha recrutaram barcos particulares para interceptar botes de refugiados nos mares da Europa e devolvê-los aos países de origem.

Requerentes de asilo foram agredidos, assaltados e despidos nas fronteiras. A polícia croata chegou a açoitar e abusar sexualmente de imigrantes nus, conforme relatório recente.

O número de pessoas que atravessam o Canal da Mancha, entre o norte da França e a Inglaterra, em busca de segurança, atingiu um novo recorde no mês de maio.

Londres sugeriu uma série de táticas controversas para impedir a entrada de refugiados, incluindo a construção de um muro flutuante no Canal da Mancha, ondas artificiais e a detenção de imigrantes em balsas abandonadas no litoral.

A Secretária do Interior do Reino Unido Priti Patel propôs ainda instituir um centro de processamento na Ilha de Ascensão, território britânico no Atlântico Sul, a fim de analisar perfis e solicitações. Grupos de direitos humanos descrevem a ideia como “desumana”.

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