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Intimidação de Israel à AP é infantil

O presidente de Israel Reuven Rivlin em Berlim em 16 de março de 2021 [John Macdougall/ AFP via Getty Images]
O presidente de Israel Reuven Rivlin em Berlim em 16 de março de 2021 [John Macdougall/ AFP via Getty Images]

A iminente investigação de crimes de guerra pelo Tribunal Criminal Internacional levou Israel a agir diplomaticamente e, de outra forma, tentar impedi-lo. O governo israelense aumentou seu lobby em uma tentativa de influenciar os políticos europeus a se oporem à investigação do TPI. Durante uma visita à Alemanha, o presidente israelense Reuven Rivlin e o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), Aviv Kochavi, defenderam a decisão do TPI.

“Confiamos em que nossos amigos europeus nos apoiarão na importante luta contra o uso indevido do Tribunal Penal Internacional contra nossos soldados e civis”, declarou Rivlin.

Enquanto isso, de volta à Palestina colonizada e ocupada, a agência de segurança interna de Israel, Shin Bet, revogou o cartão VIP do Ministro das Relações Exteriores da AP, Riyad Al-Maliki. O ministro estava viajando de volta para a Cisjordânia ocupada vindo da Jordânia na época, após uma reunião com a promotora-chefe do TPI, Fatou Bensouda.

A promotora do Tribunal Criminal Internacional, Fatou Bensouda, dá uma entrevista coletiva na capital do Sudão, Cartum, em 20 de outubro de 2020, no final de sua visita de cinco dias ao país [Ebrahim Hamid/ AFP via Getty Images]

A promotora do Tribunal Criminal Internacional, Fatou Bensouda, dá uma entrevista coletiva na capital do Sudão, Cartum, em 20 de outubro de 2020, no final de sua visita de cinco dias ao país [Ebrahim Hamid/ AFP via Getty Images]

Um oficial israelense não identificado admitiu que a ação foi uma retaliação contra a AP por seu recurso ao TPI para obter alguma aparência de justiça para o povo palestino. “Tais ações estão de acordo com a relação atual entre Israel e a Autoridade Palestina”, disse o alto funcionário. “É por isso que decidimos que não há razão para Al-Maliki gozar de privilégios ao passar pela fronteira.”

Os relatos da mídia de que Shin Bet confirmou que persistirá na intimidação de retaliação contra a AP lançam luz sobre quem está, na realidade, transformando o TPI em questão política. Apesar de todas as suas graves deficiências e do abandono da causa palestina sob o pretexto de pragmatismo, a AP não está em posição de politizar a investigação do TPI. Não pode nem mesmo politizar o compromisso de dois Estados, apesar de sua adesão a ele, devido ao fato de que a autoridade existe apenas como uma extensão da diplomacia internacional, funcionando para estender o domínio de Israel sobre o que resta da Palestina.

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A AP concordou com a investigação do TPI de crimes de guerra, colocando-se sob investigação, assim como o Hamas. Israel, no entanto, embarcou em uma campanha de intimidação e garantia de sua lealdade, enquanto tentava desviar a opinião política do escopo do tribunal, que é determinar a culpabilidade pelos crimes de guerra cometidos.

Israel tem domínio sobre a comunidade internacional quando se trata de proteger seu projeto colonial de assentamentos. Da mesma forma, a AP está principalmente nas garras de atores externos que saudaram os Acordos de Abraham e as décadas de normalização de Israel que precederam a diplomacia do governo Trump. O recurso da AP ao TPI não torna sua hierarquia inimiga de Israel, apesar do que o governo israelense deseja que acreditemos.

Assim, o gesto de retaliação israelense contra Al-Maliki é uma demonstração infantil de poder sobre uma entidade que já está submetida, à espera, como o próprio chanceler palestino afirmou em várias ocasiões. Recorrer a essa intimidação flagrante, no entanto, sugere que Israel não se sente tão encorajado a enfrentar até mesmo a perspectiva hipotética de justiça para os palestinos. A investigação do TPI tem o potencial de identificar culpabilidade no labirinto da violência colonial de assentamentos de Israel que, se efetivada, terá um impacto na impunidade de que goza, conforme designado pela ONU.

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Decisão da TPI traz esperança para a Palestina e consternação para Israel. [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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