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Apesar da pandemia e da crise interna, Brasil mantém apoio à Palestina

Apesar da epidemia e da crise interna, o Brasil mantém seu apoio contínuo à Palestina. [Eman Abusidu/Monitor do Oriente Médio]
Apesar da epidemia e da crise interna, o Brasil mantém seu apoio contínuo à Palestina. [Eman Abusidu/Monitor do Oriente Médio]

O Brasil enfrenta o colapso de seu serviço de saúde com o segundo maior número de infecções por coronavírus do mundo e o governo está em meio a uma crise política interna. Mesmo assim, o país mantém seu apoio à autodeterminação do povo palestino e à luta pela reconquista de seu território e sua soberania. Pessoas de todo o Brasil participaram de eventos durante a Semana do Apartheid Israelense 2021, que terminou ontem. A ONU declarou o dia 21 de março como o “Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação”, que visa combater a discriminação com base na raça, cor, ascendência, etnia ou origem nacional.

Nos últimos dezessete anos, os eventos da Semana do Apartheid Israelense (IAW, na sigla em inglês) foram organizados em todo o mundo para “protestar contra […] injustiças e defender a liberdade palestina, justiça e igualdade como parte da luta para alcançar a justiça indivisível”. Este ano, em resposta ao apelo do movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), a BDS Brasil se juntou ao IAW lançando condenações online e nas redes sociais ao apartheid de Israel. Conforme explicado no site da BDS, “IAW é uma ferramenta para promover a solidariedade internacional com a luta palestina por justiça e direitos humanos”.

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A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) também participou da Semana do Apartheid Israelense 2021. O objetivo era mostrar ao povo brasileiro como o Estado de Israel atua para restringir os direitos de pelo menos sete milhões de palestinos que vivem entre o rio Jordão e mar Mediterrâneo, e nega a milhões de outros o seu direito legítimo de regressar às suas terras. Segundo Ualid Rabah, presidente da Fepal, o motivo da campanha neste momento “é o crescimento do lobby sionista no Brasil, além do alinhamento do atual governo com Israel. Há também um movimento mais sutil em jogo que visa criminalizar as críticas ao regime israelense”.

Parlamentares no Congresso brasileiro também mostraram seu apoio aos palestinos. Isso não é novidade. Em 5 de dezembro de 2019, com o apoio de 210 parlamentares, entre senadores e deputados federais, foi lançada a primeira Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos do Povo Palestino. As formalidades foram realizadas em sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados em Brasília. A frente parlamentar expressou sua intenção de mostrar ao mundo todo que seus membros se opõem à postura pró-Israel do governo brasileiro.

Pedro Uczai, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar, falou pela Fepal sobre a proposta de trabalho do grupo. Ele ressaltou que vai colocar pressão sobre o Estado de Israel para que cumpra as resoluções da ONU para permitir a soberania e a autodeterminação do povo palestino. No próprio Brasil, vai demonstrar que o parlamento, como representante do povo brasileiro, se opõe ao viés do governo brasileiro para o estado de ocupação. “Democracia, liberdade e paz só podem ser alcançadas se as resoluções da ONU forem respeitadas e seguidas para permitir a criação de um Estado independente da Palestina”, explicou.

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Basicamente, a frente trabalhará denunciando a violência israelense e as violações das leis e convenções internacionais e, ao mesmo tempo, apoiará a resistência e a luta do povo palestino em busca de seus direitos legítimos. Além disso, a frente incentivará senadores e deputados federais brasileiros, bem como a Comissão Nacional de Direitos Humanos, a visitar a Palestina ocupada. Isso demonstrará a solidariedade do Brasil e de seu povo com o povo da Palestina ocupada.

“Como defensores dos direitos humanos e dos povos”, disse Uczai, “devemos repudiar todas as formas de terrorismo, incluindo o terrorismo de Estado que sujeita as populações à violência e à fome e as priva de direitos básicos, como saúde e educação”.

Apesar da política de apoio do presidente Jair Bolsonaro a Israel, o povo brasileiro e os parlamentares são firmes em seu apoio à causa palestina. Daí a participação agora anual na Semana do Apartheid de Israel para se opor ao racismo institucional de Israel e afirmar os direitos do povo palestino. Para os parlamentares brasileiros, a verdadeira solidariedade com a Palestina e seu povo serve para enfatizar seu direito inalienável de viver em liberdade em sua própria terra, com plena soberania e sua própria cultura. A solidariedade com o povo palestino é nada menos do que um apelo por uma paz justa e duradoura na região.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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