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Aliados do Golfo apoiam Riad e rejeitam relatório sobre assassinato de Khashoggi

Manifestante exibe cartaz com imagem do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em 25 de outubro de 2018 [Yasin Akgul/AFP/Getty Images]
Manifestante exibe cartaz com imagem do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em 25 de outubro de 2018 [Yasin Akgul/AFP/Getty Images]

Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos declararam neste sábado (27) seu apoio à Arábia Saudita, ao repudiar o relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) sobre o assassinato do jornalista dissidente Jamal Khashoggi.

As informações são da agência Anadolu.

Os aliados do Golfo demoraram apenas um dia para reagir à divulgação do relatório que incrimina Mohammed Bin Salman, príncipe herdeiro e governante de fato da Arábia Saudita, no assassinato de Kashoggi, então colunista do jornal The Washington Post, em 2018.

O documento concluiu que Bin Salman aprovou a “captura ou morte” de Khashoggi, ao considerá-lo “ameaça ao reino”, além de aprovar medidas violentas para silenciá-lo.

O Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita emitiu uma nota para expressar seu repúdio ao relatório da CIA, ao descrevê-lo como “pejorativo, falso e inaceitável”, contendo “conclusões e informações imprecisas”.

Espera-se que o Presidente dos Estados Unidos Joe Biden faça um anúncio sobre o relatório e laços bilaterais com Riad, nesta segunda-feira (1°).

LEIA: Biden destaca direitos humanos em conversa com rei saudita

Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores do Bahrein apoiou o repúdio saudita ao inquérito, ao destacar o “papel central” de Riad em questões regionais e internacionais.

O Ministério de Relações Exteriores do Kuwait alardeou o papel da monarquia em combater a “violência e o extremismo” e seu “resoluto apoio à segurança e estabilidade” no Oriente Médio, a despeito da intervenção saudita no Iêmen, considerada a maior crise humanitária do mundo.

Os Emirados Árabes Unidos também saíram em defesa da Arábia Saudita, ao expressar confiança no judiciário do reino e seu “compromisso em aplicar a lei de modo imparcial e transparente, a fim de responsabilizar devidamente os envolvidos no caso”.

Yousef bin Ahmad Al-Othaimeen, chefe da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), também declarou apoio à posição saudita. Segundo a mídia estatal do reino, Al-Othaimeen denunciou o relatório por suas “deduções imprecisas … sem qualquer prova decisiva”.

Al-Othaimeen reiterou ainda seu apoio a todas as medidas judiciais tomadas por Riad contra os suspeitos no crime, incluindo seus vereditos emitidos até então. A comunidade internacional cobra julgamentos independentes.

Khashoggi foi brutalmente executado e esquartejado dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, Turquia, em outubro de 2018. A princípio, Riad negou qualquer papel em sua morte, mas posteriormente adotou a narrativa de uma operação clandestina.

O ex-presidente americano Donald Trump tentou consistentemente proteger o líder saudita das repercussões do crime, criticado tanto por democratas quanto republicanos por postergar ou obstruir a divulgação do relatório da CIA.

LEIA: Os EUA responsabilizarão a Arábia Saudita pelo assassinato de Jamal Khashoggi?

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