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Escritor Raduan Nassar afirma estarmos vivendo uma tragédia com o governo Bolsonaro

Raduan Nassar na cerimônia de entrega do Prêmio Camões de Literatura, em 27 de fevereiro de 2017 [Janine Moraes/MinC]
Raduan Nassar na cerimônia de entrega do Prêmio Camões de Literatura, em 27 de fevereiro de 2017 [Janine Moraes/MinC]

A Folha de São Paulo publicou uma entrevista com o escritor Raduan Nassar, em que ele afirma que a presidência de Bolsonaro é uma tragédia, critica os interesses da Lava Jato e defende a candidatura de Lula para a presidência em 2022.

Raduan Nassar tem 85 anos e é filho de imigrantes libaneses, que se casaram na aldeia de Ibl al-Saqi, no sul do Líbano e emigraram para o Brasil em 1920. Ele é o autor de Lavoura Arcaica (1975), Um Copo de Cólera (1978) e Menina a caminho (1997). O escritor, que parou de escrever há mais de trinta anos, demonstrou pouco interesse em voltar à literatura. À Folha, Nassar afirmou não ter “nenhuma vontade” de voltar a escrever e que não tinha textos guardados; “na gaveta, somente boletos a pagar”.

Mesmo com apenas três livros publicados, é considerado um dos grandes nomes da literatura brasileira e foi laureado com o prêmio Camões em 2016. O júri escolheu seu nome em unanimidade, destacando “a extraordinária qualidade da sua linguagem” e a “força poética da sua prosa”. Na ocasião, ele aproveitou o seu discurso para criticar o governo de Michel Temer.

Durante a entrevista à jornalista da Folha, Fernanda Canofre, Tassan se reafirmou como de esquerda, sem filiação política, exemplificando sua posição com a definição de Pepe Mujica: ‘É uma posição filosófica perante a vida, onde a solidariedade prevalece sobre o egoísmo’. O escritor defendeu a candidatura de Lula para as próximas eleições presidenciais. “O primeiro nome é sempre o de Lula, alguém com estatura de estadista”, disse, “caso seu nome, por razões espúrias, seja barrado novamente pelos militares, Fernando Haddad e Flávio Dino são nomes íntegros.”

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Ele defendeu o impeachment de Bolsonaro, “pelas maluquices que tem feito” e definiu com o governo de Jair Bolsonaro como “uma tragédia. O Brasil não merece quem ocupa a cadeira do Planalto: economia devastada, miséria crescente, pior gestão mundial da pandemia, não temos vacinas, não temos estratégia para distribuir as vacinas, não temos seringas.”, disse Raduan, “Vamos esperar o quê? Este governo é um desastre. Estamos vivendo uma tragédia, mas precisamos resistir, depois da vacinação é povo nas ruas.”

“Como um chefe de Estado pode lamber as botas de um Trump, dando as costas para o resto do mundo e para as relações multilaterais? Novamente o ciclo da história, ironicamente, apresenta as lições: como fica a política de vira-latas de nossas relações exteriores diante de uma possível guinada sob o comando de Joe Biden? E aquelas ofensas deploráveis contra a China e seu povo, em rede social?

No governo de Jair Bolsonaro pululam generais, ainda não consegui entender para quê…Provavelmente para dar um novo golpe em favor do inominável. Enquanto isso, o presidente passeia de jet-ski, sabota as restrições contra a propagação do vírus, deixa faltar oxigênio em Manaus, não apresenta plano de recuperação para o país, mas é rápido para propagandear medicamentos sem eficácia comprovada.”, disse.

Ele também comentou a sua denúncia ao golpe com o processo de impeachment de Dilma Roussef, em 2016, e as consequências que presenciamos hoje. “Senti, como todas as pessoas comprometidas com o Estado democrático de Direito, o dever de denunciar o golpe e a entrega de um projeto de nação que o Brasil esboçava construir.”, afirmou.

“Está aí a consequência: nossa soberania foi entregue, sob a batuta de um país do norte, que pilotou um juiz entreguista e um promotor por controle remoto. O registro, do que antes era chamado de ‘delírio da esquerda’, se deu ao longo dos últimos anos quando assistimos as confissões de vários golpistas, sem o menor pudor, e por último a do general Eduardo Villas Bôas que consolida a farsa. A história será implacável com esses transgressores.”

A folha questionou se ele mantinha as opiniões declaradas em um artigo de 2018, em que Rassan afirmou que os operadores da Lava Jato, não serão jamais absolvidos pela história e serão antes execrados. “A previsão foi correta, para quem acompanha a geopolítica mundial nas últimas décadas não é difícil a leitura sobre o modo como os EUA agem para garantir o domínio sobre os seus ‘quintais’ pelo mundo. Estava claro ainda que, sob a aura de ‘heróis’, que a Lava Jato operava a favor de interesses internacionais.”, disse.

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