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Relatório da ONU diz que Blackwater tentou derrubar governo da Líbia

Erik Prince, ex-CEO da Blackwater Worldwide, participa de uma cerimônia no Eternal Light Monument em Madison Square Park durante o desfile do Dia do Veterano em Nova Iorque, EUA, em 11 de novembro de 2019. [Jeenah Moon/Bloomberg via Getty Images]
Erik Prince, ex-CEO da Blackwater Worldwide, participa de uma cerimônia no Eternal Light Monument em Madison Square Park durante o desfile do Dia do Veterano em Nova Iorque, EUA, em 11 de novembro de 2019. [Jeenah Moon/Bloomberg via Getty Images]

Um relatório confidencial preparado por investigadores da ONU revelou que o fundador da empresa de segurança privada Blackwater, Erik Prince, violou o embargo de armas na Líbia e tentou derrubar o governo internacionalmente reconhecido duas vezes em 2019, informou a Reuters.

O relatório foi submetido por investigadores da ONU ao Conselho de Segurança da ONU.

O relatório afirma, segundo a Anadolu, que Prince se ofereceu para enviar mercenários ao general rebelde Khalifa Haftar, durante uma reunião na capital egípcia Cairo, dez dias após o lançamento da operação militar para controlar Trípoli em 4 de abril de 2019.

O relatório confirmou que, após a reunião, Prince enviou “mercenários estrangeiros, aviões de ataque e canhoneiras” para Haftar.

O relatório revelou que a força mercenária enviada por Prince, que é um ex-comando da Marinha dos Estados Unidos, planejou formar uma equipe para rastrear e assassinar líderes líbios.

De acordo com o relatório, Prince é irmão de Betsy DeVos, ex-secretária de Educação no governo de Donald Trump.

O relatório da ONU levantou questões sobre se Prince se beneficiou de sua conexão com o governo Trump para lançar sua operação na Líbia, cujo custo foi estimado em US$ 80 milhões.

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Como parte da operação militar chamada “Projeto Opus”, também havia planos para sequestrar e matar figuras proeminentes da Líbia, incluindo o comandante Abdul Rauf Kara, e dois outros comandantes que possuem passaportes irlandeses.

O relatório da ONU revelou que três empresas, nomeadamente, Lancaster 6 DMCC, L-6 FZE e Opus Capital Asset Limited FZE foram contratadas para planear e gerir a fase de implementação e financiamento da operação.

Os especialistas das Nações Unidas acusaram essas empresas e seus executivos, que são especialistas em segurança, de violar o embargo de armas imposto pelo Conselho de Segurança da ONU à Líbia.

Helicópteros militares destinados a apoiar a ofensiva de Haftar seriam adquiridos da Jordânia. No entanto, as autoridades jordanianas suspenderam o negócio em 18 de junho de 2019, quando souberam do plano, que levou Prince a seguir para a África do Sul.

De acordo com o relatório, a segunda tentativa de Prince de derrubar o governo legítimo foi quando equipes de mercenários da Operação Projeto Opus foram posicionadas em abril e maio de 2020 para destruir grandes alvos na Líbia.

No entanto, a compra de aeronaves que deveriam participar de batalhas foi cancelada sob o pretexto de que os aviões seriam alvos dos sistemas de defesa aérea do Governo de Acordo Nacional (GNA), de acordo com o relatório da ONU.

De acordo com a mídia norte-americana, a acusação de que Prince violou o embargo de armas imposto pelo Conselho de Segurança da ONU à Líbia o expõe a possíveis sanções por parte das Nações Unidas, incluindo proibição de viagens e congelamento de contas e ativos bancários, embora isso não seja certo, informou o New York Times.

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