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Maçonaria afasta líder acusado de assédio sexual por funcionárias

João José Xavier[camarasorocaba]
João José Xavier[camarasorocaba]

João José Xavier, que ocupava o cargo de Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo (Glesp), foi afastado da liderança após ser acusado de assédio sexual por duas ex-funcionárias.

A decisão do Superior Tribunal Maçônico foi publicada na última terça-feira (24) em documento obtido pela Folha de São Paulo, que diz “Qualificadas no frontispício do exordial, narraram os impetrantes o pedido de afastamento temporário do Sereníssimo Grão-Mestre”. A peça cita as acusações de assédio e importunação sexual feitas por duas mulheres que trabalhavam na instituição e que preferiram ter as identidades preservadas.

O documento afirma não ser construtivo prejulgar Xavier sem lhe conceder o direito de ampla defesa, e a decisão de afastá-lo lhe dará a oportunidade de realizá-la com tranquilidade, além disso a continuidade dele seria um “desconforto” para a instituição. A Glesp, em boletim interno, confirma que a manter Xavier no posto teria uma repercussão prejudicial à maçonaria.

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Em setembro deste ano duas ex-funcionárias foram à justiça e entraram com ações criminais, trabalhistas e por danos morais contra João José Xavier. As mulheres – uma trabalhava na administração e outra auxiliar de limpeza – foram demitidas neste ano, no meio da pandemia de covid-19.

Em depoimento, elas detalharam como o líder da Glesp fazia diversas insinuações de cunho sexual e passava a mão em seus corpos sem consentimento. Três testemunhas confirmaram à justiça terem presenciado o assédio. Segundo elas os assédios pioraram ainda mais quando Xavier foi eleito grão-mestre em 2019, o posto máximo da instituição.

Ele, se condenado na justiça, pode pegar de um a dois anos de detenção pelo crime de assédio sexual e de um a cinco anos de reclusão pelo crime de importunação sexual.

A auxiliar administrativa, de 40 anos, trabalhou na Grande Loja de 2001 a junho deste ano e afirmou que a importunação começou em 2016. Ela reclamou da situação com colegas e chefes, mas nada foi feito para interromper os assédios.

A segunda a denunciar, a auxiliar de limpeza de 29 anos, começou a trabalhar na loja maçônica em 2017. Ambas são casadas e afirmaram que sentiam-se constrangidas, nunca incentivaram o comportamento e não denunciaram antes por precisarem do emprego.

A maçonaria iria sediar em Israel este ano a 17ª Conferência Mundial das Grandes Lojas Regulares, que acontece a cada 18 meses. O evento estava marcado para ter início no dia 31 de maio em Jerusalém, mas não aconteceu por causa da pandemia de coronavírus. O local é considerado alegoricamente o berço da maçonaria, pela importância do Templo de Salomão nos ritos maçônicos. Além disso, muitos membros da maçonaria estiveram envolvidos de forma profunda na criação do Estado de Israel, como demonstra o artigo “Filhos da Luz na Terra Santa: Os Maçons Fundadores da Moderna Israel” escrito por Yaron Gal Weis.

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