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Novos confrontos em Nagorno-Karabakh; Pompeo alega que Turquia piora a situação

Secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo em visita à base de apoio naval de Souda, principal instalação da marinha americana no Mediterrâneo Oriental, na ilha de Creta, 29 de setembro de 2020 [Aris Messinis/AFP/Getty Images]
Secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo em visita à base de apoio naval de Souda, principal instalação da marinha americana no Mediterrâneo Oriental, na ilha de Creta, 29 de setembro de 2020 [Aris Messinis/AFP/Getty Images]

Forças armênias e azeris entraram novamente em confronto nesta sexta-feira (16), soterrando as esperanças imediatas por um cessar-fogo imposto sobre as quase três semanas consecutivas de conflito no território disputado de Nagorno-Karabakh.

Ao comentar a situação, o Secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo acusou a Turquia de inflamar as tensões ao armar o Azerbaijão.

As informações são da agência Reuters.

Trata-se do pior surto de violência no sul do Cáucaso desde a década de 1990, quando Armênia e Azerbaijão entraram em guerra por Nagorno-Karabakh. A região é reconhecida internacionalmente como parte do Azerbaijão, mas povoada e governada pela maioria armênia.

Os confrontos representam um grave risco de desastre humanitário, especialmente caso atraíam agentes externos, como Rússia e Turquia.

LEIA: Esperança de cessar-fogo em Nagorno-Karabakh naufraga conforme aumentam mortes

A Turquia aumentou em seis vezes suas exportações militares ao Azerbaijão, aliado próximo em região estratégica, em 2020. A Rússia é próxima de ambos os lados, mas possui um pacto de defesa com a Armênia. A agência de notícias RIA reportou ainda que a marinha russa começou a planejar exercícios militares no Mar Cáspio.

Ainda na sexta-feira, outros sinais indicaram que o cessar-fogo mediado pela Rússia, acordado no sábado último (10), com o intuito de permitir aos lados trocar prisioneiros e corpos dos mortos em combate, havia fracassado.

Armênia e Azerbaijão trocaram acusações de sucessivos ataques; ambos alegaram, contudo, manter vantagem sobre o adversário.

Artsrun Hovhannisyan, oficial do Ministério da Defesa da Armênia, alegou que o Azerbaijão conduziu bombardeios a partir do norte de Nagorno-Karabakh, “com total desrespeito à trégua humanitária”. Reiterou, porém, que as forças azeris foram repelidas, com baixas significativas.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão, por outro lado, afirmou que as forças azeris em Nagorno-Karabakh tiveram de recuar, mas sem perder a vantagem ao longo da linha de contato que divide os lados em confronto.

A Reuters não pôde verificar os relatos de forma independente.

O governo azeri também acusou a contraparte armênia de utilizar um míssil para atacar Ordubad, na província autônoma de Nakhchivan, região pertencente ao Azerbaijão, mas cercada por Armênia e Irã. Não obstante, o governo armênio negou tais ataques.

O Ministério da Defesa da região autônoma de Nagorno-Karabakh reportou 29 novas baixas militares. Até então, foram registrados 633 mortos em serviço. O órgão que monitora a região reportou 34 mortes civis, desde 27 de setembro, quando eclodiu a nova rodada de confrontos.

O Azerbaijão não revelou informações sobre baixas militares. O gabinete da promotoria-geral azeri relatou, no entanto, que 47 civis foram mortos e 222 ficaram feridos.

LEIA: Jornalistas do Azerbaijão são atingidos no conflito com a Armênia

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