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A coordenação da segurança com Israel e a normalização são duas faces da mesma moeda

Manifestantes seguram faixas durante um protesto contra o acordo de normalização entre Emirados Árabes Unidos e Israel em Gaza em 12 de setembro de 2020 [Agência Ashraf Amra / Anadolu]
Manifestantes seguram faixas durante um protesto contra o acordo de normalização entre Emirados Árabes Unidos e Israel em Gaza em 12 de setembro de 2020 [Agência Ashraf Amra / Anadolu]

As declarações feitas por funcionários da Autoridade Palestina (AP) são mais risíveis que provocativas. Elas São imorais e fraudulentas e falsificam os fatos. O ministro das Relações Exteriores, Riyad Al-Maliki, por exemplo, anunciou que o Estado da Palestina renunciou à presidência rotativa da Liga Árabe em protesto contra sua posição sobre a normalização árabe com Israel. De que estado ele está falando? Os territórios palestinos são ocupados por Israel, e a própria AP está envolvida em “sagrada” coordenação de segurança com o inimigo.

Por que o protesto quando a AP é aquela que coordenou com o Secretário-Geral da Liga Árabe antes do encontro e concordou em fazer uma declaração desta forma vergonhosa? Como de costume, a AP estava envolvida no acordo.

A Autoridade Palestina criada em Oslo está delirando e tenta nos convencer de que tem um estado soberano para que possamos compartilhar essa ilusão doentia e respeitar essa falsa e enganosa “autoridade”. Seus funcionários foram enganados por posições e títulos falsos; seu “presidente”, Mahmoud Abbas, achava que ser recebido por chefes de Estado, andar sobre tapetes vermelhos e viajar em carreatas significava que ele era um verdadeiro presidente. Ele esquece que não pode deixar sua casa em Ramallah sem permissão das autoridades de ocupação israelenses, algo que ele admitiu abertamente.

Esta autoridade corrupta nascida dos Acordos de Oslo nada mais é do que um pilar do sistema de ocupação israelense, criado para proteger Israel e manter um controle sobre a resistência. Então, quem além de si mesma ela pode culpar pelo colapso da posição árabe. E por que só falar publicamente sobre isto depois que todos já tinham conhecimento de tal fato por tanto tempo, mas sobre o qual ninguém ousava falar? A autoridade de coordenação de segurança protege colonos e assentamentos ilegais, sufoca a resistência e entrega os heróicos combatentes da resistência aos israelenses, além de atuar como um informante para seus mestres sionistas, para que Israel possa assassiná-los. É esta realidade que conduziu alguns países árabes rumo à normalização. Eles nunca serão mais reais do que o próprio rei.

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Os crimes de normalização foram resultado de sua coordenação de segurança, sr. Al-Maliki, bem como de suas negociações fúteis e concessões de todos os direitos e garantias palestinos, em troca de uma autoridade imaginária. Vocês são as pessoas que sufocaram e humilharam os palestinos. Sua terra foi tomada e o que era sagrado foi profanado diante dos olhos deles, assim como diante dos de vocês. Mas eles não puderam fazer nada, por causa da opressão e da brutalidade que vocês exerceram. Eles estavam sangrando enquanto observavam os soldados israelenses invadirem seus vilarejos e cidades demolindo suas casas, enquanto suas forças de segurança, dispersas na retaguarda, não faziam nada. Você não tem vergonha de ter sido exposto e de ter caído a máscara da face cruel da AP?

A OLP assinou os Acordos de Oslo em 13 de setems, enquanto bro de 1993, segundo os quais Israel seria reconhecido e a cláusula sobre a luta armada para libertar a Palestina do mar até o rio foi removida do estatuto nacional da organização em troca de uma autoridade imaginária que não foi mais do que coordenação de segurança com Israel. Houve também a promessa de estabelecer um Estado que ainda não viu a luz do dia; em vez disso, a AP e a OLP supervisionaram o roubo de ainda mais terras palestinas e assistiam enquanto mais assentamentos eram construídos, de modo que o “Estado da Palestina” se algum dia vier a existir, terá muito menos que 20 por cento da histórica Palestina. Na verdade, Benjamin Netanyahu deseja despojar os palestinos também desta terra e anexá-la a Israel.,

"Não vou perder a oportunidade de anexar a Cisjordânia" - Charge [Sabaaneh / Monitor do Oriente Médio]

“Não vou perder a oportunidade de anexar a Cisjordânia” – Charge [Sabaaneh / Monitor do Oriente Médio]

Ninguém pode negar que os Acordos de Oslo estabeleceram as bases para o Tratado de Wadi Araba de Israel com a Jordânia e agora o “Acordo de Abraão” com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Oslo quebrou o princípio de hostilidade contra Israel e estabeleceu o conceito de terra para a paz. Estabeleceu a ideia de paz como uma opção estratégica para os árabes, o que nem mesmo os Acordos de Camp David entre o Egito e Israel conseguiram realizar. Agora Netanyahu está propondo um novo princípio, “paz pela paz”, mas o está vendendo como “paz pela força”.

A data dos acordos de normalização com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein foi escolhida cuidadosamente por Netanyahu para coincidir com a assinatura do Acordo de Oslo entre a OLP e Israel, no mesmo lugar há 27 anos. O simbolismo foi importante para os israelenses, pois eles estão ansiosos para unificar as datas, com Netanyahu tentando evocar Oslo, a fim de compará-lo com os últimos acordos. A mensagem para o povo israelense foi clara: não precisamos dar terras para alcançar a paz.

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Se Netanyahu se sente livre para ignorar e até mesmo anular os princípios sobre os quais os Acordos de Oslo foram construídos, e basicamente abandonou o próprio acordo, não deveria a AP também abandonar sua coordenação de segurança com as autoridades de ocupação e retornar a uma estratégia de resistência? É o mínimo que pode fazer, até porque a resistência a uma ocupação militar é inteiramente legítima de acordo com as leis e convenções internacionais.

Dado que a coordenação de segurança com Israel e a normalização são duas faces da mesma moeda, se a Autoridade “de Oslo” Palestina for realmente sincera em sua ira contra a normalização árabe com Israel, então ela deve voltar ao primeiro papel da OLP como um movimento de libertação em busca da libertação de toda a Palestina, do rio até o mar, conforme estipulado em seu primeiro estatuto. Isto foi antes de se tornar delirante ao ponto de buscar a paz com o estado de ocupação que nada sabe sobre a paz, não se importa absolutamente com a paz e nada faz nada para alcançá-la.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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