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Manifestantes do Líbano oferecem dicas de segurança e apoio aos protestos nos EUA

Forças de segurança disparam gás lacrimogêneo durante protestos contra a situação política e econômica em Beirute, Líbano, 18 de janeiro de 2020 [Mahmut Geldi/Agência Anadolu]

Ativistas libaneses foram às redes sociais para compartilhar seu apoio, solidariedade e dicas de segurança aos protestos populares que eclodiram na última semana nos Estados Unidos, diante da assassinato do cidadão negro George Floyd, por um policial branco.

Em 25 de maio, Floyd, desarmado, morreu após ser imobilizado e asfixiado contra o chão pelo policial branco Derek Chauvin, na cidade de Minneapolis. O policial pressionou a garganta de Floyd por oito minutos e 46 segundos consecutivos. Protestos despertaram em mais de 75 cidades por todo o país, em resposta ao assassinato e ao racismo estrutural, em particular, contra a violência policial com base em discriminação racial.

Nos últimos dias, dezenas de milhares de manifestantes entraram em confronto com a polícia de choque e a Guarda Nacional. Veículos e edifícios foram incendiados e saqueados, diante da indignação popular. A polícia agiu com grande repressão, ao prender e ferir milhares de manifestantes, com uso de balas de borracha, granadas de atordoamento e gás lacrimogêneo contra massas civis.

No Líbano, no decorrer da última semana, a hashtag em árabe “América revolta-se” assumiu o topo dos trendings no Twitter, ecoando a hashtag “Líbano revolta-se”, slogan do levante de 17 de outubro de 2019.

 

Hashtag “América revolta-se” ressoa a palavra de ordem dos protestos libaneses de outubro, em apoio e solidariedade às manifestações nos Estados Unidos

 

Sarah Aoun, tecnóloga e ativista de direitos humanos, que atualmente vive no Brooklyn, Nova Iorque, compilou um fio bastante abrangente de tuítes que destacam medidas de precaução tomadas por manifestantes libaneses, durante seus protestos.

 

Ativista Sarah Aoun, cidadã libanesa e residente dos Estados Unidos, compartilha dicas de segurança para os protestos

 

A partir da experiência dos protestos no Líbano, as dicas compreendem tópicos como “itens para ter em sua mochila”, incluindo “cebolas para inalar caso seja atingido no rosto por gás lacrimogêneo” e água gaseificada para lavar produtos químicos que atinjam a pele, além de conselhos legais.

Auon sugere manter acessível o telefone de um advogado, diante de uma eventual prisão e recomenda combinar saídas estratégicas e pontos de encontro caso grupos sejam separados.

Outros usuários também compartilharam mensagens de solidariedade. Sara Rayes, ativista de Beirute, escreveu: “Do Líbano, Hong Kong e Chile a Minneapolis e todo os outros lugares que tanto precisam: Vidas negras importam! … amor e carinho a todos que lutam por direitos humanos”.

 

“Tudo que acontece nos Estados Unidos e o caso de George Floyd me lembram da revolução libanesa”, escreve usuário do Twitter

 

Houve ainda quem destacou as similaridades entre os movimentos de protesto nos Estados Unidos e na Líbano. Joelle Sheikh, escritora libanesa, reiterou sete pontos principais de comparação, como “histórico de injustiça” e “fato estopim”.

No Líbano, o ponto de inflexão foi a imposição de novos impostos sobre chamadas por aplicativo, como WhatsApp, que reafirmou a desigualdade social e os efeitos cotidianas da grave crise econômica no país. Nos Estados Unidos, foi a morte de George Floyd.

 

Escritora libanesa lista semelhanças entre os protestos, a cobertura de mídia e a forte repressão, nos Estados Unidos e Líbano

 

Outros usuários das redes sociais ainda destacaram as reações de manifestantes no Líbano e Estados Unidos, que invadiram lojas e edifícios, em indignação. A jornalista libanesa Luna Safwan compartilhou um vídeo em seu Twitter, sob a manchete “agitadores invadem o Centro de Justiça do Condado de Multnomah, em Portland, Oregon, e incendeiam o edifício”.

Em resposta ao vídeo, Safwan observou: “Quando manifestantes libaneses invadiram prédios e lojas durante os primeiros dias de protestos, foram muito criticados. Minha resposta foi: isto é um levante. É o que acontece quando você oprime pessoas por anos e anos, sem direitos iguais.”

 

Jornalista libanesa observa que ataques a prédios e lojas é uma resposta comum da indignação popular acumulada por anos

 

Diversos usuários do Twitter ridicularizaram a resposta do governo americano do Presidente Donald Trump e recordaram declarações oficiais de instituições sobre os protestos libaneses, ao enfatizar a hipocrisia dos representantes políticos.

O ativista libanês Enzo El Adm escreveu: “Eventos recentes reiteram a necessidade de uma discussão franca entre o povo americano e sua liderança sobre o futuro do país e refletem as longínquas demandas do povo americano por reforma na justiça penal e pelo fim do racismo endêmico”.

 

Ativista libanês destaca necessidade de debate franco entre o povo americano e sua liderança sobre o futuro do país e o racismo endêmico

 

O satirista libanês Karl Sharro, conhecido por seu pseudônimo Karl Remarks, também criticou as cenas violentas que ocorreram nos Estados Unidos em sua página do Twitter. Afirmou: “Os Estados Unidos deveriam invadir a si mesmos para trazer democracia aos Estados Unidos.”

Dois dias depois, respondeu à própria postagem, ao declarar “Galera, eu estava brincando”, após equipes militares serem posicionadas nas ruas para reprimir violentamente as manifestações americanas, conforme registros nas plataformas das redes sociais.

 

Satirista libanês ironiza a postura dos Estados Unidos de “proteger a democracia”, à medida que invade militarmente outros países e reprime seu próprio povo

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