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França realiza repatriação de crianças e mulheres presas no noroeste da Síria

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Pessoas caminham em solo lamacento em um campo de refugiados durante o inverno, na vila de Ein El-Bayda em Idlib, Síria [İzzeddin Kasim - Agência Anadolu]

A França repatriou 15 mulheres e 32 crianças de um campo de detenção instalado no noroeste da Síria, após veemente pressão de associações de direitos humanos. A decisão sucedeu críticas da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre negligência francesa referente a seus cidadãos, em violação da Convenção Contra a Tortura.

As crianças foram encaminhadas ao conselho tutelar; as mulheres – entre 19 e 59 anos – foram remetidas às “autoridades competentes”, confirmou Paris.

Esta é a quarta vez que o regime francês adota medidas de repatriação dos campos nos últimos sete meses.

O campo prisional de Roj, onde estavam as mulheres e crianças, é uma instalação superlotada, carente de recursos, perto do campo de al-Hol.

Grupos humanitários alertam que falta água e comida nos campos em questão e que centenas de crianças morreram devido a doenças e casos de violência.

Shamima Begum, então “noiva do Daesh” – ou seja, companheira de um combatente do grupo terrorista Estado Islâmico –, perdeu seu filho em um campo na Síria em 2019. O caso incitou um debate no Reino Unido sobre a repatriação dos estrangeiros presos no país em guerra.

Roj e al-Hol abrigam cerca de 38 mil cidadãos estrangeiros, sobretudo esposas, parentes e filhos de combatentes do Daesh, mantidos ali desde o colapso do grupo, há cerca de quatro anos. Ao menos 80% das crianças têm menos de 12 anos, alerta o Human Rights Watch.

LEIA: ONU pede renovação imediata de resolução para enviar ajuda humanitária à Síria

As Forças Democráticas da Síria – coalizão opositora ao regime de Bashar al-Assad –, que ainda controla o noroeste da Síria, confirmou que pode ter de abandonar os refugiados.

A ong Save the Children pressiona pela repatriação.

O programa da Save the Children na Síria comentou: “Trata-se de boas notícias, ao avançar nos esforços de repatriação que vimos no ano passado. Contudo, não nos esqueçamos que ainda há milhares de crianças sírias e iraquianas à espera de oportunidade semelhante, incluindo quase sete mil crianças estrangeiras”.

“Governos de seus respectivos países carregam o destino das crianças em suas mãos”, reiterou. “É preciso fazer mais para levar as crianças para a casa assim que possível”.

 

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