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Arábia Saudita promove juiz que ‘encobriu’ assassinato de Khashoggi

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Uma bandeira da Arábia Saudita [Ozan Kose/AFP via Getty Images]

A Arábia Saudita promoveu o juiz Awadh al-Ahmari ao comando da corte de contraterrorismo. Al-Ahmari é acusado de ajudar a encobrir o assassinato do jornalista exilado Jamal Khashoggi e implicado em casos de tortura e fabricação de provas contra ativistas de direitos humanos.

As informações foram reportadas pela ong Democracy for the Arab World Now (DAWN).

Khashoggi foi executado dentro do consulado saudita em Istambul por um esquadrão da morte, em outubro de 2018. Evidências indicam ordens de Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro e governante de facto da monarquia.

Al-Ahmari é próximo do príncipe e compôs a delegação que acompanhou o procurador-geral do reino a Istambul logo após o assassinato. Relatos alegam que al-Ahmari foi escolhido a dedo por bin Salman para ocultar evidências do crime hediondo.

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Detalhes de seu papel no encobrimento dos fatos foram citados por um Relatório Especial das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias e Extrajudiciais. Segundo o documento, a equipe obstruiu a investigação da Turquia no local do crime e enviou provas falsas à perícia.

Al-Ahmari é também implicado na extração à força de confissões de ativistas sauditas, durante seu período como investigador do Escritório de Segurança Pública da Procuradoria-Geral, entre 2010 e 2022. Segundo testemunhas, diversos ativistas foram condenados a penas abusivas com base em delações capciosas obtidas por al-Ahmari.

A DAWN corroborou a nomeação ao obter acesso a um decreto real de 9 de junho, conforme o qual outros dez detetives e promotores serão promovidos a juízes da Corte Penal Especializada – fundada em 2008 para julgar suspeitos de “terrorismo”.

Nos últimos anos, o tribunal saudita se tornou infame por condenar críticos e ativistas. A Arábia Saudita – como Emirados Árabes Unidos e Egito, seus aliados regionais – é acusada de adotar o conceito de “terrorismo” como arma política, sobretudo desde a Primavera Árabe de 2011.

A indicação de al-Ahmari sucede um expurgo de nove juízes na corte extraordinária. Desde sua posse, sentenças foram revogadas e sanções foram reforçadas a ativistas de direitos humanos, incluindo duas mulheres condenadas a 34 e 45 anos de prisão por seu uso das redes sociais.

“Por sua lealdade e eficácia em obter confissões forçadas, realizar torturas e encobrir crimes, al-Ahmari recebeu como generoso prêmio de Mohammed bin Salman o cargo de chefe do tribunal maior destaque no país, usado para perseguir ativistas políticos”, comentou Abdullah Alaoudh, diretor do DAWN na região do Golfo.

“Bin Salman despachou al-Ahmari para silenciar críticos e limpar sua bagunça, incluindo o caso de Jamal Khashoggi, assassinado em Istambul”, prosseguiu Alaoudh.

Sarah Leah Whitson, diretora executiva do DAWN, reiterou: “Ao indicar al-Ahmari … bin Salman sinaliza aos sauditas que apenas aqueles dispostos a fazer seu trabalho sujo serão promovidos, apesar da notável ausência de qualificações”.

“Ao mesmo tempo, emite uma mensagem ao mundo de que não deseja, de forma alguma, dar fim a sua brutalidade”, concluiu Whitson.

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