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Al Jazeera denuncia Israel em Haia por assassinato de Abu Akleh

Protesto contra o assassinato de Shireen Abu Akleh, correspondente da rede Al Jazeera baleada por um franco-atirador israelense, em Londres, Reino Unido, 14 de maio de 2022 [Rasid Necati Aslim/Agência Anadolu]
Protesto contra o assassinato de Shireen Abu Akleh, correspondente da rede Al Jazeera baleada por um franco-atirador israelense, em Londres, Reino Unido, 14 de maio de 2022 [Rasid Necati Aslim/Agência Anadolu]

Nesta terça-feira (6), a rede de imprensa Al Jazeera encaminhou ao Tribunal Penal Internacional (TPI), radicado em Haia, na Holanda, sua denúncia sobre o assassinato da jornalista Shireen Abu Akleh por forças da ocupação israelense, em 11 de maio de 2022.

Nascida em Jerusalém e cidadã dos Estados Unidos, Abu Akleh era uma conhecida repórter de televisão que cobriu a situação na Palestina para a multinacional Al Jazeera por 25 anos, até ser morta por um franco-atirador israelense no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia.

Em sua petição ao promotor-chefe de Haia, Karim Khan, a rede Al Jazeera reiterou novas provas testemunhais e um registro de vídeo que mostra que Abu Akleh e seus colegas foram alvejados por disparos diretos das Forças de Defesa de Israel (FDI).

A denúncia inclui um dossiê que compreende resultados de seis meses de investigação.

LEIA: Mesmo simbólica, decisão dos EUA de investigar o assassinato de Shireen Abu Akleh é inédita e significativa

Segundo a Al Jazeera, as evidências desmentem a versão israelense de que Abu Akleh foi morta por engano em uma troca de tiros. Os registros mostram que não houve disparos da posição de Abu Akleh, senão tiros diretos das tropas israelenses contra os jornalistas.

O advogado Rodney Dixon, a serviço da Al Jazeera, descreveu o assassinato de Abu Akleh como parte do padrão comportamental de Israel contra profissionais de imprensa.

“Não se trata de um incidente isolado, mas sim um assassinato que corrobora um padrão amplo que exige investigação da promotoria, para identificar os responsáveis e indiciá-los”, comentou Dixon em coletiva de imprensa.

“O foco está em Shireen, neste assassinato ultrajante. Contudo, as evidências que submetemos olham a todos os atos contra a Al Jazeera, alvejada regularmente por seu papel de destaque na imprensa internacional”, acrescentou o advogado.

Conforme Dixon, não há razão que prescinda um inquérito tampouco ordens de prisão contra generais e políticos israelenses, responsáveis sob a doutrina da cadeia de comando. O conceito antevê que um superior – seja civil ou militar – deve responder por crimes de guerra cometidos por seus subordinados.

Ao mencionar o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI), que também busca analisar o caso, Dixon reafirmou que o inquérito americano não é desculpa para que Khan deixe de abrir um procedimento legal no tribunal de Haia.

Dixon observou que a petição da Al Jazeera complementa a denúncia encaminhada a Haia pela família de Abu Akleh, em setembro deste ano, com apoio do Sindicato de Imprensa da Palestina e da Federação Internacional dos Jornalistas.

Um novo documentário da Al Jazeera, intitulado Fault Lines, mostra como Abu Akleh e colegas, com capacetes e coletes à prova de bala com identificação de imprensa, caminhavam em uma via pública quando foram alvejados por soldados israelenses.

O atual premiê de Israel, Yair Lapid, naturalmente rejeita a investigação de entes externos sobre seus soldados, a despeito da lei internacional. “Ninguém vai investigar nossas tropas e ninguém vai nos passar sermão sobre ética de guerra, muito menos a Al Jazeera”, declarou Lapid à CNN.

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