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Diplomatas americanos advertem Biden a não enviar armas à ultradireita israelense

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Daniel C. Kurtzer, embaixador americano em Israel entre 2001 e 2005, sob o governo de George W. Bush [Twitter]

Diplomatas americanos que serviram a sucessivos governos alertaram o Presidente dos Estados Unidos Joe Biden a cessar os envios de armamentos ou recursos militares ao próximo gabinete de Israel, ao argumentar que seus componentes extremistas devem ameaçar a situação vigente na Cisjordânia ocupada.

Em artigo publicado na quarta-feira (30) no jornal The Washington Post, Daniel Kurtzer e Aaron David Miller – ex-embaixador americano em Israel e ex-chefe de negociações do Departamento de Estado, respectivamente – afirmaram que a Casa Branca deve preservar seu apoio conforme “necessidades legítimas de segurança”, mas deve se opor a mudanças de status da Cisjordânia, do complexo de Al-Aqsa e dos postos coloniais ilegais.

Após sua vitória eleitoral no começo de novembro, o ex-premiê israelense Benjamin Netanyahu deve retornar ao poder para um sexto mandato, após mais de um ano como chefe da oposição. Desta vez, Netanyahu aliou-se com elementos da extrema-direita.

Itamar Ben-Gvir, líder do partido Otzma Yehudit (Poder Judeu), deve ser empossado como novo Ministro de Segurança Pública. Bezalel Smotrich, chefe do bloco Sionismo Religioso, está cotado para assumir a pasta de economia.

Em seu artigo, Kurtzer e Miller manifestaram receios de que o novo governo avance ainda com seus assentamentos sobre as terras palestinas, além de encorajar atos de violência por parte de colonos ilegais e dos soldados da ocupação.

LEIA: O Ocidente realmente se negará a lidar com ministros israelenses de extrema direita?

Os diplomatas de carreira – ambos judeus americanos que trabalharam no chamado “processo de paz” para a região – instaram Biden a estabelecer condições a Israel sobre a participação de Ben-Gvir, Smotrich e outros, de modo que o apoio da Casa Branca em conferências e tribunais internacionais, incluindo nas Nações Unidas, deve ter limites.

Após o resultado das eleições, Biden pediu a Netanyahu para distanciar-se da extrema-direita e indicar ministros que possam trabalhar adequadamente com Washington.

O Departamento de Estado condenou Ben-Gvir por participar de um evento memorial ao rabino Meir Kahane, político extremista e líder terrorista do estado colonial israelense.

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As eleições israelenses e o retorno de Netanyahu [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

O senador democrata Robert Menendez – apoiador contumaz de Israel e do apoio americano a seu exército – também advertiu Netanyahu que sua parceria com políticos extremistas poderia prejudicar os laços históricos entre ambos os países. Conforme relatos, Netanyahu não recebeu bem os alertas de Menendez.

Kurtzer e Miller reafirmaram que Biden não deve negligenciar o lado palestino e deve estimular esforços para realizar eleições democráticas e atenuar as tensões, ao invés de se escorar em um governo de extrema-direita que possa agravar a situação.

Ambos os diplomatas aconselharam a Casa Branca a “informar os países dos Acordos de Abraão – Emirados Árabes, Bahrein, Marrocos e Sudão – que sua evidente indiferença ao sofrimento do povo palestino pode prejudicar a relação com Israel e prejudicar sua credibilidade no avanço de outros objetivos regionais junto dos Estados Unidos”.

Conforme o Serviço de Pesquisa Congressional, os Estados Unidos forneceram a Israel cerca de US$150 bilhões de dólares em assistência militar e mísseis de defesa. Para o ano fiscal de 2022, Biden pediu um orçamento militar de US$3.3 bilhões ao estado israelense.

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