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Marcado como ‘traidor’, israelense de 18 anos nega recrutamento compulsório

Shahar Schwartz, cidadão israelense de 18 anos, está sob ameaça de prisão por recusar-se a entrar para o exército da ocupação [Refuser Network]

Shahar Schwartz, cidadão israelense de 18 anos, está sob ameaça de prisão por protestar contra o recrutamento compulsório às Forças Armadas da ocupação.

“Me recuso a entrar para o exército israelense pois sustenta desigualdade e oprime qualquer esperança de uma mudança positiva”, reiterou Schwartz. “Devido a minha recusa, o exército quer interferir em meus direitos humanos e me aprisionar”.

“Estou disposto a pagar o preço temporário da prisão, um preço que os palestinos pagam suas vidas inteiras, porque me recuso a cooperar com o sistema responsável por isso”, acrescentou.

“Israel não anexou formalmente os territórios palestinos, mas mantém seu controle e nega aos palestinos seus direitos à independência e direitos humanos fundamentais”, afirmou Schwartz. “Jovens israelenses que servem ao exército são aqueles que ativamente oprimem os palestinos e permitem a violência colonial contra eles. Me recuso a participar disso”.

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Em nota divulgada pela Rede de Solidariedade Refuser, Schwartz confirmou sua apreensão durante os ataques israelenses contra Gaza, pois sua família vive na área adjacente à cerca nominal do território sitiado.

“Eu morava em uma casa antiga que não tinha abrigo, então me sentava na entrada e esperava o alarme parar. Era o momento mais assustador de minha vida”, relatou Schwartz. “Felizmente para mim, moro agora no centro de Israel e não enfrento perigo. Quando criança, porém, tinha muito medo”.

Schwartz reafirmou que as tensões têm um impacto profundo na infância e que jovens israelenses se recrutam ao exército com sentimento de “projetar o ódio ao outro lado”.

Schwartz, no entanto, rompeu a barreira da discriminação e conheceu jovens palestinos durante um acampamento nos Estados Unidos, quando tinha 15 anos.

“Escutei palestinos da minha idade falarem como o exército israelense – formado de jovens israelenses como eu – oprime a população civil dia após dia, através dos postos de controle, patrulhas de rua, demolição de casas e prisão de crianças. Muitos palestinos nos conhecem apenas pelas ações da ocupação”.

“Por outro lado, muitos israelenses somente sabem dos palestinos por meio de reportagens sobre ataques ou bomba ou ao servir como soldados. O regime militar de Israel ativamente impede qualquer mudança possível”.

As experiências de Schwartz levaram-no à recusa de juntar-se às Forças Armadas.

O recrutamento é obrigatório em Israel para todos os cidadãos acima de 18 anos, incluindo mulheres. Schwartz sabe que sua decisão o deixará marcado como “traidor”; não obstante, assumiu o risco pois acredita ser a “a coisa certa a fazer na atual situação política”.

“Espero que faça as pessoas verem os crimes que o exército está cometendo e o sofrimento que isso causa; espero que as faça se perguntar: de que lado deste conflito eu quero estar?”

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