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Atirador de Israel alvejou ‘deliberadamente’ Shireen Abu Akleh, aponta investigação palestina

Centenas de pessoas estão reunidas em Bay Ridge, no Brooklyn, em Nova Iorque, Estados Unidos, em 15 de maio de 2022, para protestar em apoio aos palestinos e homenagear a jornalista palestina-americana Shireen Abu Akleh, que foi morta por soldados israelenses no em Jenin, na Cisjordânia, Palestina [Tayfun Coşkun/Agência Anadolu]

O procurador-geral palestino, Akram Al-Khatib, anunciou ontem que a investigação sobre o assassinato da jornalista palestina-americana da Al Jazeera Shireen Abu Akleh revelou que as forças israelenses “direta e deliberadamente” a assassinaram.

Al-Khatib disse que o exército israelense estava plenamente ciente da presença de jornalistas na área, pois todos usavam coletes à prova de bala com a palavra “PRESS” e capacetes, e que os soldados israelenses tinham uma “clara e direta vista” de Shireen.

“Ficou claro que um atirador das forças de ocupação [israelenses] disparou uma bala que atingiu a jornalista Shireen Abu Akleh diretamente em sua cabeça”, disse Al-Khatib, acrescentando que o exército israelense continuou a atirar em qualquer um que tentasse resgatá-la.

Acrescentou que a investigação também revelou que “a única fonte de fogo foi das forças de ocupação com o objetivo de matar” Shireen, sublinhando que todos os fatos mostram que se trata de um “assassinato premeditado”.

Al-Khatib disse que a Autoridade Palestina conduziu sua investigação sobre o assassinato de Shireen “independentemente” sem interferência externa, acrescentando que as autoridades americanas foram “informadas sobre a investigação”.

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Durante o ataque, outro jornalista da Al Jazeera, Ali Al-Samoudi, também foi ferido após ser baleado nas costas, mas está em condição estável. Al-Khatib disse que isso equivale a “tentativa de assassinato”.

A autópsia e o exame forense realizados em Abu Akleh após sua trágica morte mostraram que ela foi baleada por trás, indicando que ela estava tentando fugir enquanto as forças israelenses continuavam atirando contra o grupo de jornalistas.

O ministro das Relações Exteriores palestino anunciou que a Autoridade Palestina pediu formalmente ao TPI que investigue o assassinato de Abu Akleh.

Duas investigações independentes da Associated Press e da CNN também chegaram à mesma conclusão da investigação palestina.

Na terça-feira (24), a CNN disse que “uma investigação ofereceu novas evidências – incluindo dois vídeos da cena do tiroteio – de que não houve combate ativo, nem militantes palestinos, perto de Abu Akleh nos momentos que antecederam sua morte. Vídeos obtidos pela CNN, corroborados por depoimentos de oito testemunhas oculares, um analista forense de áudio e um especialista em armas explosivas, sugerem que Abu Akleh foi morta a tiros em um ataque direcionado pelas forças israelenses”.

Enquanto isso, a Associated Press disse que sua própria investigação também concluiu que Shireen foi morta por um soldado israelense.

Outra investigação do Bellingcat, um grupo de jornalismo investigativo com sede na Holanda, concluiu que, devido à proximidade das forças israelenses ao local onde Shireen estava, é altamente provável que ela tenha sido atingida por um soldado israelense.

Israel assassinou a jornalista da Al Jazeera Shireen Abu Akleh em 11 de maio, enquanto ela cobria o ataque do exército de ocupação ao campo de refugiados de Jenin. O profissional de imprensa de 51 anos estava vestindo um colete à prova de balas exibindo claramente a palavra “Press” e estava de capacete, mas ainda foi baleada na cabeça por um atirador israelense. Seus colegas também foram baleados enquanto tentavam resgatá-la.

Os carregadores de caixão em seu funeral também foram espancados com cassetetes enquanto a polícia de Israel reprimia seu cortejo fúnebre enquanto viajava por Jerusalém Oriental ocupada.

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