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Londres insta ONU a estender mandato humanitário no noroeste da Síria

Bazar em Idlib, Síria, 30 de março de 2022 [Muhammed Said/Agência Anadolu]
Bazar em Idlib, Síria, 30 de março de 2022 [Muhammed Said/Agência Anadolu]

Na sexta-feira (20), o Reino Unido fez um pedido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para estender o mandato transfronteiriço na Síria, cujo intuito é permitir o envio de assistência humanitária via Turquia, destinada a milhões de deslocados no noroeste do país.

James Kariuki, vice-representante permanente do Reino Unido na ONU, descreveu o mandato promulgado pelo Conselho de Segurança como “coração do socorro humanitário”.

Após o fechamento de três travessias de fronteira, em 2020, sobrou somente de Bab al-Hawa, no noroeste do país. Rússia e China – membros permanentes do Conselho de Segurança, com poder de veto – ameaçaram fechar a fronteira diversas vezes; não obstante, acordos firmados nos últimos dois anos possibilitaram mantê-la aberta, ao distender o mandato por seis meses.

A próxima votação sobre a pauta está prevista para julho. Estados ocidentais buscam conter as ameaças de veto de Moscou e Pequim, sobretudo diante de múltiplos impasses internacionais.

A travessia auxilia quatro milhões de refugiados na província oposicionista de Idlib.

“Ouvimos uma e outra vez, das Nações Unidas e ongs em campo, que não há alternativa viável a esse mecanismo”, insistiu Kariuki. “Quando foi autorizado o programa, em 2014, mais de dez milhões de pessoas requeriam ajuda. Agora, são 14.6 milhões de sírios dependentes de auxílio humanitário – mais de 80% da população”.

O diplomata britânico destacou a necessidade de maior suporte da comunidade internacional, sobretudo nos campos de deslocados internos em Idlib, diante de “repercussões de uma crise alimentar global, da pandemia de covid-19 e do ascenso na violência”.

Kariuki reiterou ainda que Londres gastou US$4 bilhões em assistência humanitária desde 2011, quando teve início a guerra civil. Segundo o embaixador, seu governo prometeu outros US$200 milhões ao longo deste ano, durante a Conferência de Bruxelas na semana passada.

Kariuki justificou seus apelos pela urgência de recursos para “ampliar esforços de recuperação e resistência na Síria e para reconstruir a vida da população”. Além disso, insistiu que as remessas diretas dificultam que os pacotes assistenciais “caíam nas mãos de terroristas”, em referência a grupos militantes supostamente ligados à al-Qaeda.

Em nome do governo britânico, concluiu o diplomata: “Instamos os membros a apoiarem a renovação e expansão do mandato das Nações Unidas em julho próximo”.

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