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Política israelense de expulsão dos palestinos é ‘ilegal e desumana’, alerta ONU

Representantes da Missão de Cúpula da União Europeia junto de ativistas das ongs israelenses Breaking the Silence e B’Tselem, durante visita a comunidades palestinas em Masafer Yatta, na região de Hebron (Al-Khalil), na Cisjordânia ocupada, em 19 de outubro de 2020 [Hazem Bader/AFP via Getty Images]

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta segunda-feira (16) que a expulsão de 13 comunidades palestinas da Cisjordânia ocupada, conforme a política colonial de Israel, sob pretexto de conduzir exercícios militares, é “ilegal e desumana”.

Samer Abdel Jaber, coordenador humanitário das Nações Unidas, visitou a região de Masafer Yatta, sul da Cisjordânia ocupada, para conversar com residentes ameaçados pela política de transferência compulsória.

Jaber viajou acompanhado de representantes de cinco agências da ONU e onze ongs, além de diplomatas da União Europeia e de 24 países — entre os quais, Alemanha, Dinamarca, França, Finlândia, Holanda, México, Noruega, Turquia e Reino Unido.

“Após a recente decisão judicial sobre Masafer Yatta, apelo ao governo israelense que permita aos residentes permanecerem em suas casas com dignidade”, destacou Jaber. “Viver aqui com segurança é tudo que querem os residentes, como nos disseram hoje alguns deles”.

“Nós, que representamos a comunidade internacional, nos comprometemos em apoiá-los”, acrescentou.

Em 4 de maio, a Suprema Corte de Israel aprovou o despejo dos palestinos de Masafer Yatta, na região ocupada de Hebron (Al-Khalil), para dar lugar a supostos campos de treinamento militar.

LEIA: UE pede fim da violência de colonos e das provocações em Sheikh Jarrah

Cerca de 1.200 pessoas, incluindo 580 crianças, estão sob risco imediato de expulsão e deslocamento à força, reportou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Os residentes devem perder suas casas, pertences, acesso à água, trabalho, serviços de saúde básica e escolas. “Tais medidas podem equivaler a transferência forçada, grave violação da lei humanitária internacional e, portanto, crime de guerra”, advertiu o OCHA.

“Como potência ocupante, a responsabilidade das autoridades israelenses é proteger os civis palestinos”, acrescentou Jaber. “Expulsar 13 comunidades para dar espaço a treinos militares contradiz este imperativo e é absolutamente desumano e ilegal”.

Nidal Younes, chefe do conselho local de Masafer Yatta, reafirmou: “Pedimos à delegação que intervenha urgentemente e pressione a ocupação para impedir a deportação dessa população”.

Conforme estatísticas da ONU, o estado israelense demoliu ou expropriou 217 construções palestinas em Masafer Yatta desde 2011, levando ao deslocamento de 608 pessoas.

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