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Entrada da Suécia na OTAN enfrenta empecilho: Turquia diz não

Ministra de Relações Exteriores da Suécia Ann Linde durante encontro dos chanceleres da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Riga, Letônia, 1° de dezembro de 2021 [Gints Ivuskans/AFP via Getty Images]

Nos próximos dias, a Suécia deve requerer formalmente sua filiação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), confirmou nesta segunda-feira (16) a primeira-ministra Magdalena Andersson. Todavia, seu processo de entrada, junto da Finlândia, enfrenta um obstáculo, após o presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometer vetar a iniciativa.

As informações são da agência de notícias Reuters.

Suécia e Finlândia dependem do aval de todos os 30 estados-membros da OTAN para juntar-se à coalizão militar. O processo de ratificação pode demorar um ano, mas as objeções da Turquia culminaram em dúvidas sobre seu avanço.

Erdogan afirmou a repórteres que os estados nórdicos não devem sequer se incomodar em enviar delegações a Ancara, para tentar persuadí-lo a apoiar a medida.

“Nenhum desses regimes tem uma atitude clara e aberta sobre grupos terroristas”, afirmou o presidente, em referência a supostas células do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) nos países requerentes. “Como podemos confiar neles?”

Erdogan chegou a descrever a Suécia como “incubadora” de entidades terroristas, ao acusar a monarquia europeia de lhes conferir representação no parlamento.

A invasão russa da Ucrânia abalou a estrutura de segurança da Europa e forçou Helsinque e Estocolmo a alinhar-se com a OTAN, após abdicar de uma vaga na coalizão armada liderada pelos Estados Unidos, durante a Guerra Fria.

O governo social-democrata da Suécia, preocupado com a vulnerabilidade do país, manifestou esperanças de um processo rápido de ratificação. A OTAN tinha expectativas de que a objeção turca fosse contornada rapidamente; porém, não parece o caso.

A Ministra de Relações Exteriores Ann Linde recusou-se a comentar a negativa, até então.

Decisão histórica

A decisão dos países nórdicos de solicitar uma vaga na OTAN pode encerrar uma política longeva de não-alinhamento, que definiu suas estratégias de defesa desde a Guerra Fria.

“Deixamos uma era para trás e entramos em outra”, declarou Andersson durante coletiva de imprensa, na segunda-feira. Segundo a premiê, a aplicação da Suécia deve ser submetida nos próximos dias, em sincronia com o requerimento finlandês.

“A OTAN fortalecerá a Suécia e a Suécia fortalecerá a OTAN”, acrescentou.

A decisão de abandonar a neutralidade militar — princípio bicentenário do estado sueco — reflete uma mudança veemente da opinião pública na Escandinávia, após a deflagração da ofensiva de Moscou contra o território ucraniano.

Andersson reiterou que seu país não quer a instalação de bases militares permanentes da coalizão ou armas nucleares em seu território, caso seja aprovado como estado-membro.

Enquanto isso, o presidente russo Vladimir Putin conferiu uma resposta moderada aos avanços: “No que abrange à expansão, incluindo como novos membros Finlândia e Suécia, o Kremlin não tem problema com esses estados — nenhum”.

Não obstante, Putin acusou Washington de adotar a eventual expansão como tática “agressiva” para escalar ainda mais a conjuntura global. Segundo o líder russo, seu exército retaliará caso a coalizão movimente armas ou tropas em direção à fronteira.

Micael Byden, comandante das Forças Armadas da Suécia, afirmou à imprensa que a decisão de requerer filiação tem base na estratégia militar e que defender a Suécia, unilateralmente ou em cooperação com outros estados, será mais simples caso o país seja membro da OTAN.

“Com base nas conversas e relações com meus homólogos, sei que a Suécia é bem-vinda na OTAN”, argumentou o general. “Todavia, não somos apenas bem-vindos — sei que a Suécia como estado-membro tornará a OTAN uma entidade mais forte”.

A Suécia obteve apoio dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha e França; porém, nenhum compromisso vinculativo de assistência militar. Em nota conjunta publicada ontem, os vizinhos nórdicos Dinamarca, Noruega e Islândia também prometeram apoiar a iniciativa.

Moscou descreve a invasão da Ucrânia como “operação militar especial”, sob pretexto de “desnazificar” o país. Kiyv e aliados denunciam a justificativa como infundada.

ASSISTA: Turquia impõe condições à entrada de Suécia e Finlândia na OTAN

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