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Israel busca exonerar-se após assassinato de jornalista Shireen Abu Akleh

Shireen Abu Akleh em Jerusalém [Shireennasri/Twitter]

Desde o assassinato de Shireen Abu Akleh, correspondente da Al Jazeera, na manhã desta quarta-feira (11), na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada, autoridades israelenses buscam culpar os palestinos pelo incidente, ao invés de soldados da ocupação.

Segundo a rede de notícias Arab48, o jornalista israelense Barak Ravid confirmou que oficiais de comunicação do estado sionista reuniram-se meia hora após a morte de Abu Akleh e decidiram trabalhar para modificar as manchetes internacionais.

No Twitter, Ravid reportou um comunicado do premiê israelense Naftali Bennet: “Conforme as informações compiladas por Israel parece provável que palestinos armados — que disparavam de forma indiscriminada, na ocasião — foram responsáveis pela morte da jornalista”.

Segundo Ravid, as alegações foram acompanhadas de um vídeo compartilhado por Bennett em suas  redes sociais.

Ravid reafirmou, não obstante, que Shireen Abu Akleh não aparece no vídeo e que o registro compartilhado pela Al Jazeera — no qual a vítima está no chão — remete claramente a outra localidade. Tais indícios, corroborados pela ong B’Tselem, desmentem a versão de Israel.

Ravid argumentou ainda que Israel percebeu tarde demais que Abu Akleh possuía cidadania estadunidense, de modo que a seriedade da situação subitamente escalou.

LEIA: B’Tselem desmente versão israelense sobre morte de Shireen Abu Akleh

“Um mês e meio antes da possível visita de Joe Biden a Israel, este incidente pode causar enorme tensão junto do governo americano”, prosseguiu Ravid.

Conforme sua análise, congressistas democratas devem adotar o episódio como prova de que Biden não conduz pressão suficiente sobre Tel Aviv, ao citar o comportamento de Washington perante os bombardeios israelenses contra Gaza, em maio de 2021, incluindo a destruição de escritórios da Al Jazeera e Associated Press (AP).

Ravid também afirmou que o assassinato pode reforçar analogias entre a ocupação israelense e a invasão russa da Ucrânia e mesmo culminar em respostas similares a ambas as questões.

Oficiais israelenses de alto escalão concentram-se agora na contenção de danos.

O jornalista israelense Amos Harel escreveu ao jornal Haaretz: “A evasão de Israel, junto de seu fracasso em conceder evidências para sua versão, somente alimento a narrativa palestina sobre o incidente”.

“Além disso, soldados de elite da Unidade Duvdevan dispararam dezenas de balas durante a invasão a Jenin, demonstrou a investigação preliminar; contudo, se um disparo israelense ou palestino matou a repórter da Al Jazeera permanece um mistério”, acrescentou.

“A noite de quarta-feira vivenciou intensa comunicação entre Tel Aviv e a Autoridade Palestina sobre o projétil extraído do corpo de Abu Akleh, a ser submetido a exames em Israel”, reiterou Harel. “No entanto, alguns oficiais israelenses parecem não entender a gravidade da situação”.

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Na manhã desta quarta-feira, tropas israelenses executaram Shireen Abu Akleh, jornalista da rede Al Jazeera, enquanto um grupo de repórteres cobria uma operação militar no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia ocupada.

Abu Akleh, de 51 anos, vestia capacete e colete com identificação de imprensa. Contudo, um tiro disparado à distância atingiu seu rosto, debaixo de sua orelha. Ao tentar resgatá-la, seus colegas também foram alvejados.

Nações Unidas, Estados Unidos, Grã-Bretanha e União Europeia condenaram o episódio e reivindicaram uma investigação detalhada e independente.

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