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Egito tornou-se uma ‘república das bananas’ sob Sisi, afirma ativista recém-libertado

Ativista egípcio-palestino Ramy Shaath em Paris, França, 8 de janeiro de 2022 [JULIEN DE ROSA/AFP/Getty Images]

Ramy Shaath, ativista egípcio-palestino que passou dois anos e meio encarcerado, descreveu o Egito sob governo do presidente e general Abdel Fattah el-Sisi como uma “república das bananas”, segundo reportagem publicada ontem (19) pela rede Monte Carlo International.

Shaath foi libertado em 6 de janeiro, sob a condição de renunciar à cidadania egípcia.

Shaath foi filiado a diversos grupos políticos de ordem secular no Egito e ajudou a fundar o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) no país norte-africano.

Após ser libertado, Shaath foi entregue a um representante da Autoridade Palestina (AP) no Cairo, antes de ser colocado em um voo para a França, com escala na Jordânia.

LEIA: Egito liberta o ativista Ramy Shaath depois de ele renunciar à nacionalidade, diz família

Shaath que permaneceu detido junto de 1.800 prisioneiros — “todos eles presos sem cometer qualquer crime violento, sob acusações relacionadas a suas opiniões”. A princípio, eram sobretudo revolucionários, ativistas de ongs e simpatizantes do islamismo político.

“Mais tarde, em meados de 2020, a natureza dos prisioneiros começou a mudar”, acrescentou Shaath. “A maioria dos prisioneiros consistia então em pessoas comuns sem qualquer passado político ou cidadãos detidos arbitrariamente”.

Dentre os casos citados, está o caso de um cirurgião preso porque seu filho cantarolou uma canção em seu colégio que incluía uma alcunha adotada pela oposição para referir-se a Sisi.

Outro incidente refere-se a um taxista encarcerado por um ano e meio por reclamar da alta dos preços nos combustíveis. “A mensagem das autoridades é simples: abra a boca e será preso”, observou Shaath. “O Egito se tornou uma república das bananas fundamentada no medo”.

Sobre as condições de detenção, Shaath recordou sua cela de 23 metros quadrados, com paredes sem reboco, um único cobertor e um buraco no chão para servir de banheiro.

O ativista, casado com uma cidadã francesa, reconheceu o papel de Paris em sua soltura, mas reivindicou maiores intervenções. “Há milhares de outros prisioneiros menos famosos”, concluiu Shaath. “Eles merecem sua liberdade, não importa sua filiação política”.

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