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Polícia israelense invade casa de ativistas, conduz campanha de intimidação

Haley Firkser [@haleyyael/Twitter]
Haley Firkser [@haleyyael/Twitter]

A polícia sionista invadiu em diversas ocasiões um apartamento de ativistas de esquerda, na cidade ocupada de Jerusalém, revelou o jornal israelense Haaretz.

Na noite de 17 de novembro, policiais foram enviados ao apartamento de Haley Firkser, ao acusá-la de pichar símbolos de protesto no centro de Jerusalém, em solidariedade aos residentes palestinos das Colinas de Hebron, na Cisjordânia ocupada.

Segundo as informações, relatou Firkser: “Os policiais tentaram nos aterrorizar, bateram nas janelas, arrombaram a porta e pediram por nossos documentos … em seguida, nos fotografaram com seus telefones e fizeram uma série de perguntas”.

Outro inquilino confirmou o episódio: “Ouvi pessoas batendo na porta e vi as lanternas. Eles disseram para acordar todo mundo, nos levaram para fora e tiraram fotos”.

Então, pela segunda vez, seis detetives à paisana conduziram uma nova invasão ao apartamento na semana seguinte, em 23 de novembro, ao obter um mandado de um juiz distrital, que considerou o ataque “necessário” por suspeitas de “danos à propriedade”.

No entanto, quando souberam que Firkser não estava presente, ameaçaram novas invasões, caso a ativista não comparecesse a um interrogatório o mais breve possível.

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De fato, Firkser apresentou-se à delegacia; contudo, nenhum oficial estava disponível para interrogá-la em inglês. Seu depoimento foi reagendado para esta quinta-feira (2).

“É muito assustador ficar em casa”, reiterou a ativista. “Sinto-me sob a mira da polícia”.

Um colega corroborou as denúncias de abuso de autoridade:  “Os policiais se comportam como se tivéssemos matado alguém. Tentam nos assustar. É inacreditável que a polícia gaste tanta energia para intimidar cidadãos … a pena por grafite é apenas multa”.

Tais ações incitaram receios dentre ativistas de que sofrem perseguição deliberada por questões políticas — sem qualquer razão legítima para uma investigação policial.

De sua parte, a polícia israelense respondeu à reportagem: “Durante uma investigação aberta no fim de semana, sob suspeita de um crime, chegamos à casa onde vivem os suspeitos e conduzimos uma busca, conforme mandado legal”.

As forças da ocupação insistiram que “não há qualquer conexão entre opiniões ou filiação política dos suspeitos e as ações empreendidas sobre o caso”.

Riham Nassra, advogada de Firkser, descreveu a ação policial como excessiva, ao observar que o eventual grafite representa mero delito, “que mal justifica prisão e certamente não justifica invadir uma casa de madrugada e fotografar ilegalmente seus residentes”.

O episódio leva às manchetes a prática sistêmica de perseguição policial não apenas contra os nativos palestinos, mas também contra israelenses eventualmente críticos.

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