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Mãe palestina recorda assédio moral e violações nas cadeias de Israel

Forças israelenses montam guarda em frente à penitenciária de Ofer, na Cisjordânia ocupada, 12 de julho de 2021 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]

Sabah Shorbaji, uma mãe palestina de 39 anos, está tentando compensar a seus filhos o tempo perdido enquanto permaneceu encarcerada por Israel.

Na primeira hora da manhã de 16 de junho de 2016, dezenas de soldados invadiram sua casa na aldeia de Ezaria, em Jerusalém Oriental, e a detiveram arbitrariamente.

“Eles me separaram à força de meus filhos”, afirmou Sabah em entrevista à agência Anadolu. “Foi a primeira vez que os deixei”.

Algumas horas depois, Sabah estava detida na penitenciária de Ofer, na Cisjordânia ocupada, onde foi exposta a horas e horas de interrogatório. Ao anoitecer, foi então transferida a Hasharon, outra instalação carcerária mantida pelas autoridades sionistas.

Sabah Shorbaji está entre as dezenas de mulheres enquadradas por forças israelenses, ano após ano, sob acusações arbitrárias ou falaciosas. Segundo a Sociedade dos Prisioneiros Palestinos, há hoje 37 mulheres nas cadeias da ocupação; oito delas são mães.

Sabah recorda ainda que outras detentas a convidaram para participar do iftar — jantar que quebra o jejum do mês sagrado islâmico do Ramadã.

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“Chorei o tempo todo pensando nos meus filhos, pensando se tinham o que comer”.

Por mais de quatro meses, ela sequer pôde telefonar a seus filhos, muito menos receber visitas — em franca violação de seus direitos e da lei internacional.

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, as autorizações de visita a familiares dos presos devem ser emitidas dentro de três meses após a detenção.

Após seu primeiro trimestre, no entanto, Sabah recebeu apenas alguns retratos de seus filhos, sob “concessão” do serviço penitenciário de permitir cinco fotos a cada dois meses.

“Olhei aquelas fotografias por horas, tentando ler seus olhos, na esperança de poder abraçá-los um dia”, declarou a mãe de quatro filhos.

No início de outubro, seus filhos enfim puderam visitá-la.

A princípio, Sabah passou quatro meses em prisão administrativa — isto é, sem julgamento ou acusação. Após o período, seus filhos a aguardaram em um checkpoint israelense, no norte da Cisjordânia, mas tudo em vão. Sabah não foi libertada.

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As autoridades da ocupação estenderam sua prisão por outros quatro meses.

“Foi um choque para nós, eu contava os dias pela minha liberdade”, destacou a ex-prisioneira palestina. Não obstante, o processo se repetiu outras quatro vezes.

Seus filhos puderam repetir aquela visita somente em uma única oportunidade, embora separados por um painel de vidro instalado pelo centro carcerário.

Segundo as regras do Serviço Penitenciário de Israel, crianças abaixo de 6 anos têm o direito de ter contato pessoal com seus pais detidos por ao menos 10 minutos, todo mês.

Sabah sentiu vergonha de ser vista algemada por seus filhos. “Havia tantas questões em seus olhinhos. Meu coração queima sempre que penso nisso”, observou.

Sabah foi libertada em 2017 e estuda direito na universidade, junto de uma de suas filhas.

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