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Sindicatos britânicos denunciam lista ‘draconiana’ de Israel contra ongs palestinas

Forças israelenses em Jerusalém Oriental, 18 de outubro de 2021 [Mostafa Alkharouf/Agência Anadolu]

As maiores federações sindicais do Reino Unido juntaram-se ao coro de repúdio internacional contra a decisão da ocupação israelense de criminalizar seis proeminentes ongs de direitos humanos e entidades da sociedade civil palestina.

A ampla coligação sindical emitiu uma carta ao governo britânico de Boris Johnson, para pressioná-lo a “contestar tamanha medida repressiva”.

“Condenamos veementemente a absurda decisão de Israel de criminalizar grupos da sociedade civil palestina, ao designá-los terroristas”, afirmou o documento.

Assinam a mensagem: Congresso Sindical do Reino Unido (TUC); Associação de Engenheiros Ferroviários e Bombeiros (ASLEF); Sindicato de Padarias, Alimentação e Trabalhadores Associados (BFAWU); Sindicato Nacional da Educação (NEU); Sindicato de Comércio e Serviços Públicos (PCS); Sindicato Nacional de Transportes, Ferrovias e Vias Marítimas (RMT); Sindicato de Faculdades e Universidades (UCU); e as gigantes trabalhistas Unison e Unite the Union.

“Este ataque é uma tentativa flagrante de restringir ainda mais os direitos palestinos e silenciar e punir ativistas palestinos que lutam por direitos humanos e trabalham contra todas as possibilidades”, acrescentou a mensagem endereçada a Londres.

A coligação sindical observou ainda que as seis organizações sob ataque estão entre os mais eficientes grupos que documentam os abusos sistemáticos de Israel contra os direitos palestinos, incluindo construção de assentamentos ilegais em terras expropriadas, ataques contra a soberania alimentar da população nativa e prisões ilegais de adultos e crianças.

LEIA: Designação de ‘terrorismo’ de Israel à sociedade civil palestina deve ser revogada, afirma chefe dos direitos da ONU

“Tais organizações conseguiram ser ouvidas em âmbito internacional, incluindo no Tribunal Penal Internacional e nos fóruns das Nações Unidas; sem dúvida, são agora atacadas por essa razão”, acrescentou. “Difamar, perseguir e proibir os mais eloquentes proponentes de responsabilidade e justiça são medidas clássicas de regimes repressivos”.

Segundo o documento, a decisão israelense não apenas impõe uma ameaça ao povo palestino, mas também a ativistas de direitos humanos em todo o mundo.

O reconhecimento de Israel como regime de apartheid foi ainda abordado: “No passado, especialistas de direitos humanos, incluindo ativistas das organizações Human Rights Watch e B’tselem ecoaram o que dizem os palestinos há décadas — o controle israelense sobre o povo palestino abrange componentes do crime de apartheid”.

A carta exortou então o governo britânico a rechaçar publicamente as “medidas draconianas” promulgadas por Tel Aviv e reivindicar sua revogação imediata, em respeito à lei internacional e aos direitos do povo palestino, incluindo autodeterminação e resistência.

A mensagem acompanha a onda de repúdio contra a decisão israelense.

Um grupo de parlamentares dos Estados Unidos apresentou uma resolução para rechaçar a medida, assim como a Organização das Nações Unidas (ONU).

A mobilização Israelenses Contra o Apartheid, que reúne mais de mil signatários, também condenou o mais recente avanço colonial contra a sociedade palestina.

“Criminalizar qualquer forma de resistência dos nativos palestinos, ao difamá-los como terroristas, enquanto descreve como ‘autodefesa’ suas práticas de opressão e expropriação, tornou-se fundamental para sustentar o apartheid israelense”, reiterou o grupo.

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