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Lutador israelense de UFC chama afegão de ‘terrorista’; perde por submissão

Luvas de UFC em Rochester, New York, 18 de maio de 2019 [Brett Carlsen/Getty Images]

Nesta terça-feira (26), o lutador afegão de artes marciais mistas (MMA) Javid Basharat venceu o israelense Oron Kahlon por submissão, em sua luta eliminatória do UFC.

No dia anterior, Kahlon pôs a luta em risco ao exceder 1.3 kg de seu peso ideal.

Quando ambos os atletas se encontraram para a tradicional encarada, Basharat recusou-se a apertar a mão de Kahlon; o israelense então respondeu ao chamá-lo de “terrorista”.

No Instagram, Basharat reagiu à ofensa: “Esse covarde queria fugir da luta ao perder o peso. Eu disse que ia acabar com ele mesmo assim, então me chamou de terrorista. Ele queria me provocar, queria fugir da luta. Azar dele, não vou a lugar nenhum!”

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Basharat cumpriu sua palavra, ao infringir uma série de golpes de ombro contra Kahlon, logo no primeiro round; no segundo round, a vantagem pareceu se manter. Aos quatro minutos do terceiro round, o lutador afegão rendeu seu adversário com uma guilhotina.

Dana White, presidente do UFC, comentou o caso, ao afirmar que “justiça foi feita”. No entanto, insistiu que o insulto não excedeu os limites do esporte de contato.

“Podemos acrescentar isso à pilha de coisas horrorosas que foram ditas nesse esporte”, argumentou White. “Coisas horrorosas foram ditas. Nesse mundo politicamente correto ao extremo, aqui é justamente um lugar que não é assim”.

A recusa de Basharat soma-se à recente postura adotada por atletas de países árabes ou islâmicos de declinar aperto de mãos ou reverência a adversários israelenses. Alguns esportistas chegam a abdicar da disputa em protesto ao regime de apartheid.

Nos últimos anos, diversos judocas egípcios e argelinos tornaram-se conhecidos — ou mesmo ostracizados — por negar-se a fazê-lo, incluindo durante as Olimpíadas.

A animosidade entre atletas israelenses e afegãos, em particular, ocorre em um contexto no qual ambos os países se mostram em lados opostos da arena política, após a tomada de Cabul pelo grupo Talibã, descrito por Tel Aviv como ameaça.

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