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Quatro horas de violência e mortes em meio à crise sobre a explosão do Porto de Beirute

Tiros e desespero durante os protestos no Líbano após tribunal recusar a remoção de juiz que conduz investigação sobre responsabilidades na grande explosão de agosto de 2020

Foram quatro horas da violência que deixou pelo menos seis mortos e mais de trinta feridos após o tiroteio em frente ao Palácio da Justiça em Beirute contra participantes de um protesto que refutavam a decisão da corte de manter o juiz Tarek Bitar, o juiz que chefia a investigação da explosão mortal do porto de Beirute no ano passado.

Os protestos foram organizados pelos grupos Hezbollah e do Movimento Amal, que exigiam a remoção do juiz. Mas não se sabe quem iniciou o tiroteio que começou em meio aos protestos.  Entre os mortos estava uma mulher que foi atingida por uma bala em sua casa, de acordo com a Agência Nacional de Notícias estatal.  O ministro do Interior do Líbano, Bassam Mawlawi, disse que “o problema começou com um tiro, e a primeira pessoa foi atingida na cabeça … os organizadores da manifestação nos garantiram que foi pacífico”.

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, acusou o juiz de parcialidade, afirmando que sua condução do processo “envolve alvos políticos e não tem nada a ver com justiça”, motivo pelo qual foi pedida sua remoção. Mas isso gerou revolta entre as famílias das vítimas da explosão no porto de Beirute, que no dia 29 de setembro ocuparam o mesmo local, para exigir a permanência do juiz. Um comunicado conjunto dos grupos Hezbollah e Amal acusam o “grupo armado” afiliado ao partido das Forças Libanesas, liderado por Samir Geagea, de estar por trás do ataque.

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A explosão no porto de Beirute em agosto de 2020 matou mais de 200 pessoas, feriu cerca de 6.000 e deixou cerca de 300.000 desabrigados, além de causar danos massivos e enfraquecer ainda mais a já frágil economia do Líbano.

O protesto desta quinta-feira foi uma resposta à vitória dos parentes das vítimas da explosão do porto em Beirute, que, no dia 29 de setembro, protesatram em frente ao Palácio da Justiça para impedir o afastamento do juiz Tarek Bitar, que conduzia a investigação sobre a em 29 de setembro de 2021 [Agência Hussam Shbaro/ Anadolu

O protesto desta quinta-feira foi uma resposta à vitória dos parentes das vítimas da  explosão do porto em Beirute, que, no dia 29 de setembro, protesatram em frente ao Palácio da Justiça para impedir o afastamento do juiz Tarek Bitar, que conduzia a investigação sobre a em 29 de setembro de 2021 [Agência Hussam Shbaro/ Anadolu]No dia 29, os familiares carregavam fotos das vítimas e dos acusados sob investigação,  pedindo “o fim para todos os corruptos”. Mais de um ano depois da explosão, nenhum funcionário do alto escalão foi responsabilizado. “Estamos tentando o impossível para chegar a um resultado nesta investigação”, disse Joumana Khalifa, cujo primo e amigos foram mortos na explosão.

A investigação foi congelada a pedido do deputado e ex-ministro do Interior Nohad Machnouk, a quem o juiz Tarek Bitar pretende interrogar por suspeita de negligência.

Bitar é o segundo juiz a liderar a investigação depois que seu antecessor foi forçado a sair após acusações semelhantes de possíveis investigados.

Ao tentar desocupar a área dos protestos, o exército libandês pediu às pessoas que desocupassem a área e alertou que qualquer pessoa com armas seria baleada também.

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