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Judoca argelino que recusou competir com Israel é recebido como herói

Fethi Nourine [Twitter/@staddoha]
Fethi Nourine [Twitter/@staddoha]

O judoca argelino Fathi Nourine, que chegou à Argélia na noite de quarta-feira (28), expressou orgulho após sua decisão de se retirar dos Jogos Olímpicos de Tóquio para evitar uma eventual luta contra um competidor israelense.

No aeroporto de Argel, afirmou a repórteres: “Meu treinador e eu tomamos a decisão juntos e estou orgulhoso disso. Esta decisão me honra primeiro, honra minha família e honra o povo argelino e o estado argelino, porque o presidente Abdelmadjid Tebboune reiterou ao mundo que não consentimos com a normalização e apoiamos a causa palestina”.

“Estou feliz por ter incomodado a entidade sionista [Israel] e recebi telefonemas encorajadores do mundo árabe e islâmico”, acrescentou.

Nourine enfrentaria o sudanês Mohamed Abdalrasool, no dia 24 de julho, em sua primeira partida nas oitavas de final  na categoria masculina até 73 kg. Em seguida, deveria enfrentar o atleta israelense Tohar Butbul.

No entanto, quatro dias antes da partida, Nourine anunciou que se retiraria do evento porque “a causa palestina é mais importante do que tudo isso; esta é uma decisão irreversível”.

Ao regressar à Argélia, declarou: “Fiquei chocado ao ver que o sorteio me colocava ao lado do lutador sionista, o que não esperava, mas não hesitei em tomar a decisão de desistir”.

O comitê executivo da Federação Internacional de Judô (FIJ) anunciou a suspensão temporária de Nourine e do seu técnico Ammar Benkhlef.

A federação descreveu a posição de Norine como “absolutamente inconsistente com nossa filosofia (…) que possui uma política rigorosa de não-discriminação e promoção da solidariedade como princípio fundamental, reforçado pelos valores do judô.”

Prosseguiu a entidade: “O judô é baseado em um forte código moral que incorpora respeito e amizade, a fim de promover a solidariedade. Não toleraremos qualquer discriminação, porque contradiz os valores e princípios básicos do nosso esporte”.

Nourine tomou uma decisão semelhante durante o Campeonato Mundial de Judô de 2019, também em Tóquio.

O judoca sudanês Mohamed Abdalrasool também abandonou as Olimpíadas deste ano para evitar um adversário israelense.

LEIA: Nas Olímpiadas, a indústria da morte israelense e o sportwashing

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