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Após vitória contra radical islamofóbico, menino sírio promete ajudar jovens carentes

Tommy Robinson, ativista britânico de extrema-direita e fundador da Liga de Defesa Inglesa (EDL), em Londres, Reino Unido, 11 de julho de 2019 [Luke Dray/Getty Images]
Tommy Robinson, ativista britânico de extrema-direita e fundador da Liga de Defesa Inglesa (EDL), em Londres, Reino Unido, 11 de julho de 2019 [Luke Dray/Getty Images]

Após sua recente vitória judicial contra o ativista de extrema-direita e fundador da Liga de Defesa Inglesa (EDL), Tommy Robinson, o estudante sírio Jamal Hijazi, prometeu usar sua indenização para lançar uma instituição beneficente para jovens carentes.

“Quero usar esse dinheiro para criar uma instituição para ajudar jovens de qualquer origem, que passam por problemas na escola e na sociedade”, declarou Hijazi. “Não apenas contra o bullying, mas também o racismo ou qualquer outro problema que enfrentam”.

Hijazi, de 18 anos, recebeu £100 mil (US$137.300) por danos morais, após denunciar Robinson por calúnia e difamação. A batalha judicial durou dois anos.

O extremista de 38 anos, cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon, também foi condenado a pagar os custos judiciais, estimados em £500 mil (US$686.507).

Hijazi, então com 16 anos, acusou Robinson de difamá-lo em uma série de postagens no Facebook, após o estudante ser violentamente atacado na escola por colegas.

Um vídeo do ataque no pátio da escola, em outubro de 2018, registrou o momento em que outros alunos o derrubaram no chão e jogaram água em seu rosto.

Extremista britânico é condenado a pagar £100 mil a jovem sírio

Pouco depois de viralizar o ataque, Robinson afirmou em dois vídeos que o menino “não é inocente e ataca violentamente garotas inglesas em sua escola”. O radical britânico ainda acusou Hijazi de ameaçar esfaquear um colega, mas foi contestado pelo refugiado.

Os vídeos de Robinson foram vistos por quase um milhão de pessoas nas redes sociais.

Proclamou o juiz: “Como totalmente previsível, o requerente tornou-se alvo de abusos que o forçaram, junto de sua família, a deixar sua casa e seus estudos. O arguido é responsável por esse dano; algumas cicatrizes, sobretudo o impacto na educação do requerente, provavelmente durarão anos, se não a vida toda.”

Ao comentar o caso, Hijazi disse que havia passado por “muita coisa” e queria que outros jovens tivessem o mesmo apoio que teve. O jovem refugiado mencionou “sentir-se bem” pela vitória, mas não quis falar sobre a insistência de Robinson: “Não quero entrar nisso”.

Robinson, impedido por uma liminar de repetir suas acusações, enfrenta a falência. Após o veredicto, confessou não ter certeza de como pagará os danos e custos substanciais.

Em outra ocasião, ao cumprir pena por desacato à corte, um notório think tank ultraconservador sionista, o Middle East Forum (MEF), assumiu o crédito por cobrir os custos judiciais de Robinson e financiar protestos em seu apoio.

A retórica islamofóbica de Robinson e seu apoio a Israel o tornaram popular entre a extrema-direita local. Contudo, nada sugere que o MEF vá ajudá-lo na presente ocasião.

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