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Segurança doméstica de Israel alerta para violência com a queda de Netanyahu

Manifestantes israelenses durante manifestação em apoio à coalizão de Yair Lapid e Naftali Bennett para compor um novo governo, em Tel Aviv, 31 de maio de 2021 [Jack Guez/AFP via Getty Images]

O chefe do serviço de segurança doméstica de Israel (Shin Bet) emitiu um raro alerta neste sábado (5) de possível violência durante um dos períodos mais conturbados da política sionista em décadas, às vésperas da deposição do premiê Benjamin Netanyahu.

As informações são da agência Reuters.

Netanyahu enfrenta o iminente fim de seus doze anos no poder — maior período jamais mantido por um chefe de governo israelense —, após o líder da oposição Yair Lapid anunciar na quarta-feira (2) a formação de uma coalizão como decorrência das eleições de 23 de março.

O novo governo — ainda a depender da aprovação do parlamento — é um remendo improvável de partidos de esquerda, centro e direita, liberais, nacionalistas e religiosos, além de um partido árabe islâmico, pela primeira vez na história de Israel.

Nas redes sociais, Netanyahu incitou temores de um “perigoso governo esquerdista”.

Alguns grupos de extrema-direita repudiam a decisão de Bennett, líder de um pequeno partido ultranacionalista que deve substituir Netanyahu sob o pacto com Lapid. Em campanha, Bennett prometeu não se aliar com o centrista Lapid ou partidos árabes.

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“Identificamos recentemente um aumento no discurso de incitação e violência extrema, em particular nas redes sociais”, declarou em nota Nadav Argaman, chefe do Shin Bet.

“Este discurso pode ser interpretado por certos grupos ou indivíduos como autorização para atividades ilegais e violentas que podem mesmo causar danos físicos”, prosseguiu.

Desde que Bennett anunciou sua parceira com Lapid, a polícia israelense reforçou sua segurança em atos de direita e extrema-direita mantidos ao redor das casas de membros de seu partido, com objetivo de demovê-los da coligação de governo.

Argaman exortou comedimento de líderes políticos e religiosos. Seus alertas remetem à atmosfera nos dias que levaram ao assassinato do então premiê Yitzhak Rabin, em 1995, baleado por um judeu ultranacionalista contrário a negociações com os palestinos.

A esquerda israelense denunciou por anos o papel de Netanyahu, então líder da oposição, na incitação que precedeu a morte de Rabin. Netanyahu sempre negou as acusações.

Lapid e Bennett afirmaram ter esperanças de que seu “governo de união” possa sanar divisões políticas profundas entre os israelenses.

Uma pesquisa divulgada neste sábado pelo programa Meet the Press, da emissora local N12, demonstrou que 46% dos israelenses apoiam o governo Bennett-Lapid, 38% defendem uma nova eleição — a quinta em dois anos — e 15% não têm preferência.

Tensões podem escalar ainda mais nesta semana, quando grupos da ultradireita judaica pretendem conduzir uma marcha na Cidade Velha de Jerusalém ocupada.

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Onze dias de intenso bombardeio israelense contra Gaza, sob resposta de foguetes artesanais da resistência palestina, eclodiram em maio, após violações da ocupação em Jerusalém — sobretudo no bairro de Sheikh Jarrah e na Mesquita de Al-Aqsa.

Uma marcha similar de extremistas judeus, cuja rota foi desviada no último instante, foi realizada no dia em que deflagrou-se a guerra.

Israel expropria bairros palestinos em Jerusalém [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Novos protestos ocorreram no sábado em Sheikh Jarrah, onde famílias palestinas enfrentam risco de expulsão para dar lugar a colonos ilegais, sob forte repressão israelense.

Givara Budeiri, jornalista da rede de notícias Al Jazeera, foi agredida e presa pela polícia da ocupação enquanto cobria uma manifestação pacífica. Posteriormente, foi libertada sob a condição arbitrária de não trabalhar em Sheikh Jarrah por quinze dias.

A polícia alega que Budeiri agrediu policiais e recusou-se a identificar-se, tese negada pela agência de notícias internacional e testemunhas em campo. Um vídeo online mostra Budeiri, com colete de imprensa, arrastada por ao menos três policiais israelenses.

Forças de Israel também destruíram a câmera de um cinegrafista, confirmou a Al Jazeera.

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