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FMI concordam em anistiar dívidas em atraso do Sudão

Fundo Monetário Internacional [Flickr]
Fundo Monetário Internacional [Flickr]

Os países-membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) concordaram em anistiar as dívidas em atraso do Sudão, reportou ontem (17) o Presidente da França Emmanuel Macron, ao remover o último obstáculo à assistência financeira ao país norte-africano.

As informações são da agência Reuters.

O Sudão possuía uma dívida externa total de US$50 bilhões.

Em conferência realizada em Paris, Macron também lançou um esforço abrangente para reduzir o débito remanescente, ao confirmar o cancelamento da devolução de US$5 bilhões que o estado francês emprestou a Cartum.

O Sudão emerge de décadas de sanções econômicas e isolamento, após o longevo ditador Omar al-Bashir ser deposto em abril de 2019.

Ao longo do tempo, o estado sudanês assumiu uma série de calotes à sua dívida externa, Porém, avançou rapidamente em obter perdão de alguns credores, sob o programa de ajuda a Países Pobres Altamente Endividados (HIPC) do Banco Mundial e FMI.

A iniciativa poderá reabrir as portas para investimentos internacionais bastante necessários à retomada da economia nacional.

O governo civil-militar de transição tenta superar a profunda crise econômica que assola o Sudão há décadas, que resultou em 300% de inflação e na falta de produtos essenciais, conforme o esvaziamento das reservas de moeda estrangeira.

A fim de alcançar o “ponto decisivo” para desobstruir o programa de assistência a países pobres, o Sudão saldou seus atrasos com o Banco Mundial e com o Banco de Desenvolvimento Africano, ao obter empréstimos de curto prazo de estados ocidentais.

O último passo é liquidar pendências com o FMI, após a França confirmar um empréstimo de curto prazo de US$1.5 bilhão, a ser pago por caução concedido por estados-membros.

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Tais concessões foram anunciadas durante a recente conferência realizada em Paris, de modo que o mecanismo do HIPC possa avançar e encorajar uma reforma econômica abrangente no Sudão, enfatizou o presidente francês.

As reformas sob o programa do FMI, pré-requisito ao HIPC, incluem suspender subsídios a bens combustíveis e desvalorizar a moeda nacional.

“A redução da dívida sudanesa que logo vamos iniciar é o primeiro resultado dessas reformas e a trajetória será consolidada em breve, econômica e politicamente”, declarou Macron.

Após solucionar os atrasos a credores multilaterais, o Sudão pode avançar ainda na negociação de US$38 bilhões em débito a credores bilaterais. Deste valor, cerca de metade foi emprestado por países-membros do chamado Clube de Paris.

Outros US$6 bilhões são dívida externa comercial, uma proporção extraordinariamente alta.

O Ministério de Relações Exteriores do Sudão relatou em suas redes sociais que Itália e Alemanha se comprometeram em saldar sua parte da dívida externa sudanesa, isto é, um total de US$1.8 bilhão, conforme estimativas do FMI.

Therese Løken Gheziel, embaixadora da Noruega no Sudão, anunciou no Twitter que seu país também decidiu cancelar sua parte da dívida, equivalente a US$100 milhões.

Embaixadora da Noruega no Sudão confirma anistia a parte da dívida do país africano

O processo de HIPC opera via consenso, segundo o qual o valor devido é reestruturado junto de termos similares a todos os credores.

O Kuwait, que detém a maior porção da dívida externa sudanesa — isto é, US$9.8 bilhões no total —, declarou em comunicado seu apoio às negociações. Arábia Saudita, outro credor majoritário, comprometeu-se a um acordo abrangente sobre a questão.

A China reduziu e liquidou parte da dívida e prometeu pressionar a comunidade internacional a também fazê-lo, declarou a porta-voz da chancelaria, Hua Chunying.

A primeira parte da conferência de Paris foi dedicada a promover novos investimentos no Sudão. Oficiais presentes propuseram reformas ao setor bancário e projetos bilionários em energia, mineração, infraestrutura e agricultura.

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