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15/5: Carreata em SP demonstrará apoio ao levante dos palestinos contra os ataques de Israel

Manifestante palestino durante o protesto semanal perto da cerca de separação Gaza-Israel na Faixa de Gaza em 11 de novembro de 2019 [Mohammed Asad / Monitor do Oriente Médio]
Manifestante palestino durante o protesto semanal perto da cerca de separação Gaza-Israel na Faixa de Gaza em 11 de novembro de 2019 [Mohammed Asad / Monitor do Oriente Médio]

Esse dia 15 de maio é o 73º aniversário da Nakba, a catástrofe palestina, quando foi criado o estado de Israel em território palestino, com base em uma sistemática limpeza étnica do povo palestino que ali vivia.

O processo de expulsão e de genocídio perpetua. A Nakba permanece até hoje com avanços da colonização por Israel, com leis discriminatórias, estado de apartheid e outras violações de direitos humanos que contrariam a Lei Internacional.

O exemplo mais recente das ações de colonização e violência contra o povo palestino é o despejo de 550 moradores do bairro de Sheik Jarrah, na cidade de Al-Quds – Jerusalém Oriental.

A tentativa de ocupação deste bairro já é antiga. Desde o início da década de 70 os palestinos dessa região resistem contra uma série de investidas de colonos judeus que entraram com ações judiciais alegando que a terra pertencia a eles.

O bairro de Sheikh Jarrah compreende cerca de 3 mil refugiados que foram expulsos em 1948 de outras regiões da Palestina histórica. Desde então sofrem com a possibilidade de serem despejados, mesmo tendo sido realocados para o local com mediação da própria ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo dados da Anistia Internacional, 600 mil colonos vivem em assentamentos ilegais na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. E de acordo com a OCHA (escritório de relações humanitárias da ONU), outros cerca de mil palestinos, sendo que quase metade são crianças, estão em risco de despejo forçado em toda Jerusalém Oriental.

LEIA: Juventude palestina sob ocupação e na América Latina: a nova face da resistência

Manifestação

Em apoio aos palestinos que têm resistido bravamente nas últimas semanas, em São Paulo, apoiadores e ativistas farão parte de uma carreata, organizada pela Frente Palestina Livre, Al Janiah, Fórum Latino Palestino, Ibraspal, Juventude Sanaúd e Monitor do Oriente Médio neste sábado (15), a partir das 15h.

“Nesse momento as palestinas e os palestinos precisam da solidariedade do mundo. Por isso, estamos organizando aqui em São Paulo uma ação, para dar visibilidade à causa palestina, denunciar os crimes que Israel está cometendo e garantir que a população saiba a verdade que é omitida pela grande mídia”, diz o chamado para o protesto.

A carreata tem como ponto de encontro o restaurante Al Janiah, localizado na Rua Rui Barbosa, 269, e seguirá até o estádio do Pacaembu, com bandeiras palestinas e cartazes de solidariedade ao povo palestino.

Apoio internacional

A Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, da qual a a CSP-Conlutas faz parte da construção, publicou nota de repúdio aos ataques israelenses contra os palestinos.

No texto, a organização faz coro à denúncia de que “ataques aéreos do exército israelense à Faixa de Gaza deixaram mais de 25 pessoas mortas, incluindo crianças, e dezenas de feridos”. Esse saldo sangrento é resultado de ofensiva israelense realizada na madrugada desta segunda-feira (10).

LEIA: Organizações da América Latina pedem sanções para acabar com apartheid israelense

Entenda melhor

No bairro de Sheikh Jarrah, na cidade de al-Quds, Jerusalém, famílias palestinas estão sendo despejados violentamente de suas casas desde fins de abril. Cenas de horror dessas expulsões viralizaram e ocorreram durante quase todo o período sagrado do Ramadan.

Desde então, a resistência contra a expulsão de 550 dos 2.800 palestinos moradores do bairro só vem aumentando.

Uma organização sionista chamada Nahalat Shimon argumenta, com base em uma lei de 1970, que os proprietários das terras do bairro de Sheikh Jarrah antes de 1948 eram famílias judias. Esses judeus israelenses defendem que os palestinos sejam expulsos do local, mesmo sem ter qualquer ligação parental direta com os proprietários de antes de 48, fortalecendo, portanto, mais uma lei discriminatória que infringe decisões internacionais sobre os refugiados que vivem no local já há muitas gerações.

Repressão

A Frente Palestina Livre destaca que “os ativistas que resistem a essa barbárie são brutalmente agredidos, detidos e tratados com crueldade pelas forças de repressão israelenses”. Por isso é preciso ganhar mais apoio internacional, pois a violência do exército israelense deve endurecer, como de costume. “Nos próximos dias, o Hamas sentirá o longo braço do Exército [israelense]. Não vai demorar alguns minutos, vai demorar alguns dias”, disse à imprensa o porta-voz das Forças Armadas de Israel, Hidai Zilberman.

Direito de viver

O povo palestino não possui exército nem qualquer estrutura militar que alcance qualquer nível de igualdade com as forças armadas de Israel. Os únicos meios de defesa que palestinas e palestinos têm se dão por solidariedade ou garantias de organizações internacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente).

Apesar de ser tratado como organização terrorista, o Hamas é um partido político que se respalda nos direitos de resistência assegurados a qualquer povo em situação de ocupação militar ou violência étnica.

Visibilidade global

Nas redes sociais, a hashtag #SaveSheikhJarrah subiu nos tópicos em tendência no mundo todo, como rejeição ao despejo violento em Sheikh Jarrah e à repressão criminosa contra os palestinos que se levantam em toda a Palestina ocupada.

A pressão popular e a mobilização de palestinas e palestinos forçou a corte israelense a recuar a data da audiência sobre a expulsão das famílias de Sheikh Jarrah. O advogado Husni Abu Hussein, membro da equipe jurídica que representa os moradores do bairro, disse à Al Jazeera que acredita “que a resistência popular influenciou o governo israelense a atrasar os procedimentos legais”.

Herbert Claros, dirigente e membro do Setorial Internacional da CSP-Conlutas, afirma que “é preciso reforçar e cercar o povo palestino de solidariedade , para que este levante ganhe força e para que palestinas e palestinos sejam vitoriosos contra o processo contínuo de colonização e limpeza étnica do estado ocupante de Israel”.

Publicado originalmente em CSPConlutas

LEIA: ‘Os ataques de Israel aos palestinos são qualificados como terrorismo de Estado’

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