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Síria e a escalada da hostilidade EUA-Rússia

Um casal passa de moto pelos veículos militares russos e americanos na cidade de al-Malikiyah (Derik), no nordeste da Síria, na fronteira com a Turquia, em 3 de junho de 2020. [Delil Souleiman/AFP via Getty Images]
Um casal passa de moto pelos veículos militares russos e americanos na cidade de al-Malikiyah (Derik), no nordeste da Síria, na fronteira com a Turquia, em 3 de junho de 2020. [Delil Souleiman/AFP via Getty Images]

A nova escalada dos EUA contra a Rússia levanta questões importantes que estão fora do escopo teórico da análise. Nesse nível, experts e especialistas costumam olhar para os efeitos positivos e negativos que os desenvolvimentos no topo da comunidade internacional têm sobre as políticas e eventos regionais. Os resultados geralmente são muitas suposições, mas não muitas conclusões.

Alguns desses estudos veem uma escalada entre as superpotências levando a um aumento na intensidade da polarização regional entre seus aliados regionais, como aconteceu durante a Guerra Fria. Outros acham que pode fazer com que os partidos regionais tenham espaço de manobra para obter o máximo possível de seus aliados, na crença de que as superpotências em questão farão concessões aos aliados na proporção de suas necessidades.

No entanto, em que medida isso pode acontecer na crise síria? E como a escalada nos EUA – a descrição do presidente Joe Biden do presidente russo Vladimir Putin como “um assassino” – se refletirá em qualquer futuro acordo na Síria?

A Casa Branca ficará tentada a partir para a ofensiva na Síria para interromper os planos russos lá? Ou poderia acontecer o contrário? É possível que Washington deixe de se envolver em conflitos no Oriente Médio para dedicar seu tempo e energia ao que acredita ser um conflito existencial com a Rússia e a China?

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Biden abandonou todas as normas diplomáticas quando acusou Putin, na televisão, de ser um assassino sem coração que pagará um alto preço pela interferência de seu país nas eleições americanas. Em resposta, e também na frente das câmeras, Putin exerceu bastante autocontenção diante desse ataque sem precedentes de um presidente dos Estados Unidos. Ele respondeu calmamente chamando Biden de “rude”. Ele desejou ao presidente Biden boa saúde e bem-estar. Não só isso, mas também convidou Biden para aparecer com ele em um debate ao vivo na televisão para uma audiência global.

Essa escalada da hostilidade entre Washington e Moscou foi acompanhada pelo aumento das chances dos EUA contra a China, paralelamente a uma escalada europeia contra a Rússia e a China. Isso sugere que uma nova guerra fria está no horizonte, embora ainda possa ser contida. Como isso afetará a resolução de crises regionais, especialmente na Síria?

A situação ali obviamente não é uma prioridade para o governo Biden. Ele está interessado em revisar a política dos EUA para a Síria, liderada pelo novo funcionário do Oriente Médio no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Brett Magurk. No entanto, o governo apoia a ideia de manter a presença dos EUA no leste da Síria, sem o tipo de incerteza que permanece na era Trump. Além disso, Washington ainda apoia seus aliados curdos nas Forças Democráticas da Síria contra o Daesh e está prestando muita atenção à situação humanitária.

Qual país tem o destino da Síria em suas mãos? [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Qual país tem o destino da Síria em suas mãos? [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

A América deixou claro que não participará de qualquer apoio que possa chegar ao regime sírio no âmbito da conferência de doadores para a Síria em Bruxelas na terça-feira. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, cancelou seu discurso na capital belga e convocou uma conferência para a coalizão internacional contra o Daesh, também amanhã. Enquanto isso, a implementação da Lei de César e suas sanções sobre Damasco prosseguirá.

Isso pode ser mais bem descrito como sendo feito para obstruir o papel da Rússia, de modo que Moscou não possa colher os frutos de sua intervenção militar na Síria. No entanto, é provável que a escalada contra a Rússia na Síria esteja em linha com a escalada geral de Washington contra Moscou.

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A declaração de Blinken emitida no décimo aniversário da eclosão da crise síria, em cooperação com os ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha, Grã-Bretanha e Itália, confirmou o desejo de questionar a legitimidade do regime sírio, rejeitar as próximas eleições presidenciais e bloquear o plano de Moscou para revitalizar a reconstrução na Síria.

Essa escalada de hostilidades dos EUA certamente não passará sem uma resposta russa. Todos nos perguntamos que forma isso vai assumir.

Traduzido do New Khalij, em 26 de março de 2021, e editado pelo MEMO.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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