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Líderes muçulmanos franceses aprovam documento para reformas religiosas de Macron

A polícia patrulha o lado de fora da Grande Mesquita em Paris durante as orações de sexta-feira, 30 de outubro de 2020, Paris, França. [Kiran Ridley/Getty Images]
A polícia patrulha o lado de fora da Grande Mesquita em Paris durante as orações de sexta-feira, 30 de outubro de 2020, Paris, França. [Kiran Ridley/Getty Images]

Os líderes muçulmanos franceses aprovaram uma “carta de princípios” no sábado como parte dos esforços do presidente Emmanuel Macron para erradicar o chamado “separatismo islâmico” no país. A carta foi redigida, a pedido de Macron, pelo Conselho Francês de Adoração Muçulmana (CFCM) após o horrível assassinato de um professor que exibia cartuns satíricos do profeta Muhammad aos alunos.

O documento consagra os valores seculares franceses dentro da prática do Islã na França e vincula os signatários à defesa dos valores do Estado, incluindo a rejeição dos ideais islâmicos extremistas e o reconhecimento da igualdade entre os sexos. Também rejeita o Islã político, conhecido como islamismo, e define os adeptos deste último como seguidores do salafismo ou wahabismo, da Irmandade Muçulmana e do movimento Tablighi Jamaat.

Os termos da carta dizem que os imãs devem se comprometer a aceitar a igualdade dos sexos e ensinar aos seguidores que “certas práticas culturais não derivam do Islã”, relatou o Times. Essas práticas culturais, destacou, incluem a mutilação genital feminina, o casamento forçado e o uso dos chamados certificados de virgindade.

Os signatários da carta devem “condenar todas as formas de racismo, discriminação e ódio”, incluindo o antissemitismo, a homofobia e a misoginia. As mesquitas, adverte o documento, “não são criadas para a difusão do discurso nacionalista em defesa de regimes estrangeiros”.

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O presidente do CFCM, Mohammed Moussaoui, disse, neste domingo (17), no Twitter: “Esta carta reafirma a compatibilidade da fé muçulmana com os princípios da república, incluindo o secularismo, e o compromisso dos muçulmanos franceses com sua cidadania plena. Será compartilhada com imames e líderes muçulmanos regionais com vista a uma consulta e adesão o mais ampla possível”.

O documento foi aparentemente redigido em seis semanas, depois que Macron instou a liderança do CFCM a produzir algo declarando o compromisso dos muçulmanos franceses com os valores seculares do estado. O impulso veio depois que Macron afirmou que o Islã é uma religião “passando por uma crise em todo o mundo”.

O governo de Macron está aprovando uma legislação para combater o radicalismo islâmico e endurecer as leis sobre educação religiosa e questões como a poligamia. Também reprimiu mesquitas e fechou nove locais de culto muçulmanos nas últimas semanas.

As tensões entre o governo e os países muçulmanos aumentaram nos últimos meses, após os polêmicos comentários de Macron sobre o Islã. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan descreveu seu homólogo francês como “um fardo para a França”, em dezembro, após instar os cidadãos a boicotarem produtos franceses. Protestos anti-Macron também ocorreram no Paquistão e em vários países árabes no final do ano passado, em resposta aos comentários do líder francês.

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