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A vida é um pesadelo para 12 milhões de crianças no Iêmen, diz chefe da Unicef

Mulher iemenita de luto é consolada em um hospital após m ataque de artilharia houthi em Taiz, Iêmen, em 30 de novembro, 2020 [Agência Abdulnasser Alseddik / Anadolu]
Mulher iemenita de luto é consolada em um hospital após m ataque de artilharia houthi em Taiz, Iêmen, em 30 de novembro, 2020 [Agência Abdulnasser Alseddik / Anadolu]

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, anunciou na quinta-feira que o Iêmen é o lugar mais perigoso do mundo para as crianças, enfatizando que o país “está à beira de um colapso total.”

Durante sua participação virtual no evento intitulado Evitar a fome no Iêmen: o que podemos fazer agora e em 2021?, ela disse: “Mais de 80 por cento das pessoas requerem assistência humanitária urgente e proteção, incluindo 12 milhões de crianças, cujas vidas são um pesadelo.”

Fore acrescentou: “É talvez o lugar mais perigoso do mundo para ser uma criança. Uma criança morre a cada dez minutos de uma doença evitável. Dois milhões estão fora da escola. E milhares foram mortos, mutilados ou recrutados desde 2015. Apenas na semana passada, 11 foram mortos, incluindo um bebê de um mês. ”

A situação, segundo ela, é um emaranhado de crises e “qualquer uma das quais colocaria um país de joelhos.” Fore enumera conflitos em 49 linhas de frente, sendo 36 surgidos em apenas um ano. A economia está em frangalhos e as famílias não conseguem mais lidar com isso-, ela lamenta.

A infraestrutura que precisa de apoio vai de hospitais e escolas a sistemas de água e saneamento, tudo à beira do colapso, segundo a Unicef. Uma pandemia de COVID-19 varre o país. “Por tudo isso, nossas equipes humanitárias estão enfrentando combates, bloqueios e obstáculos burocráticos para alcançar os milhões que precisam de nossa ajuda”, destacou.

“Agora, apesar dos repetidos avisos, o país está enfrentando uma crise nutricional. Há 2,1 milhões de crianças desnutridas – e quase 358.000 gravemente desnutridas. Acreditamos que condições semelhantes à fome total já começaram para algumas crianças.”

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A representante da UNICEF reiterou que “estes não são apenas números em uma página. São milhões de tragédias individuais. Milhões de futuros arruinados. E milhões de pais fazendo a escolha angustiante entre comida e cuidados médicos para seus filhos.”

Dando um exemplo, ela relatou:

“Na sexta-feira passada,uma menina de oito anos chamada Zahra, em um leito da UTI em Hodeida, implorou à Unicef e sua equipe médica para deixá-la ir para casa. Ela explicou que seu pai não tinha dinheiro para comprar comida e ainda pagar as despesas médicas. Uma escolha que nenhum pai deveria ter que fazer. ”

“Enquanto o mundo assiste, um país inteiro e seu povo estão sendo privados do básico da vida.”

Fore explicou: “Nossas equipes estão fazendo tudo o que podemos, mas as necessidades estão crescendo mais rápido do que podemos responder”, enfatizando a necessidade de uma ação política urgente.

Concluindo seu discurso no evento, Fore disse que 2020 será lembrado não apenas pela covid-19 – mas como um ano em que fracassamos mais uma vez com as crianças do Iêmen. Não devemos cometer o mesmo erro em 2021”.

Mortes no conflito do Iêmen - charge [Sarwar Ahmed / Monitor do Oriente Médio]

Mortes no conflito do Iêmen – charge [Sarwar Ahmed / Monitor do Oriente Médio]

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