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Campanha no Twitter pede salvo-conduto aos refugiados, em direção à Europa

Gás lacrimogêneo espalha-se no ar, durante forte repressão de policiais franceses contra uma manifestação no campo de refugiados de Calais, França, 1° de outubro de 2016 [Pascal Rossignol/Reuters]
Gás lacrimogêneo espalha-se no ar, durante forte repressão de policiais franceses contra uma manifestação no campo de refugiados de Calais, França, 1° de outubro de 2016 [Pascal Rossignol/Reuters]

O Instituto de Relações de Raça (IRR) lançou uma campanha no Twitter nesta quarta-feira (25), a fim de conscientizar usuários das redes sociais sobre a perigosa jornada feita por refugiados em direção à Europa, sob a hashtag #SafePassageNow (#SalvoCondutoAgora).

‘Para dar atenção às quase 300 mortes relacionadas à travessia entre Reino Unido e França, desde 1999, pedimos às pessoas que participem deste ato online’, convoca o IRR

O projeto, conhecido como “travessias de risco”, tem como meta humanizar a questão dos refugiados e migrantes, vítimas de violência nas fronteiras europeias, tratados meramente como manchetes e estatísticas.

No chamamento pelo ato virtual, o IRR destacou as quase 300 mortes relacionadas à travessia das fronteiras entre Reino Unido e França, registradas desde 1999.

Figuras de destaque envolveram-se na campanha, como o autor Alan Gibbons e a parlamentar britânica Bell Ribeiro-Addy.

 

‘Quando visitei o campo de refugiados em Calais, ouvi histórias dos requerentes de asilo. Basta de tragédias causadas pela insensibilidade do governo’, escreveu Alan Gibbons

‘Fronteiras restritas não impedem a migração de pessoas desesperadas ou detêm as redes de contrabandistas, mas sim prejudicam as pessoas carentes de ajuda’, alertou Ribeiro-Addy

 

‘As mortes nas fronteiras … não são acidentes trágicos, mas resultado de políticas humanas. Fronteiras não impedem o fluxo de pessoas, apenas as matam’, reiterou Ilyas Nagdee, articulista do The Guardian

Alguns usuários das redes sociais exortaram os governos europeus a reavaliar suas duras políticas de imigração, ao destacar que este rigor serve apenas para enriquecer as redes de tráfico humano, em franco detrimento dos refugiados.

‘Concordamos com o IRR. Policiamento mais duro no Canal da Mancha dará mais lucros aos contrabandistas e mais sofrimento aos imigrantes’, declarou a organização Migrant Voice

 

‘Boa parte do sofrimento em Calais resulta da recusa do governo britânico em conceder salvo-conduto aos requerentes de asilo’, denunciou o Serviço Jesuíta aos Refugiados no Reino Unido

‘O governo britânico tenta iludir o público ao dizer que controlará as fronteiras em 2021 … Diante do Brexit, o Reino Unido fica sem qualquer política coerente para solução da crise’, alertou o Tribunal Popular Permanente para Refugiados, com sede em Londres

Outros usuários aproveitaram a oportunidade para relatar as histórias das famílias e pessoas que sofreram e morreram devido à falta de proteção aos refugiados que fogem em direção ao Reino Unido.

‘Abaixo os nomes de alguns dos mortos que tentavam chegar ao Reino Unido … Lembrem-se deles quando disserem que o país tem uma história honrosa ao oferecer segurança aos refugiados’, detalhou Sue Conlan, diretora do Centro de Pesquisa e Consultoria para Imigrantes e Requerentes de Asilo

‘A Europa mata’, reiterou Sandra Röken, ao detalhar o afogamento de oito pessoas, após três dias à deriva, na costa das Ilhas Canárias

‘Este relatório é sobre desafiar a ideia de que o presente massacre decorre de mera fatalidade. Reduzir tragédias a acidentes … é encobrir a responsabilidade das autoridades públicas’, destacou o IRR

O IRR enfatizou que as mortes nas fronteiras marítimas britânicas receberam menor atenção da mídia do que as fatalidades no Mar Mediterrâneo.

Maël Galisson, representante da organização Gisti, que concede apoio legal a requerentes de asilo na França, declarou: “Este relatório é sobre desafiar a ideia de que o presente massacre decorre de mera fatalidade. Reduzir tragédias a acidentes ou enquadrá-las a uma suposta violência entre refugiados é encobrir a responsabilidade das autoridades públicas pela situação, que já dura mais de vinte anos”.

A Secretária do Interior do Reino Unido Priti Patel é duramente criticada por sua política sobre as fronteiras britânicas.

Recentemente, Patel tornou-se motivo de piada ao sugerir que máquinas de ondas artificiais, instaladas no Canal da Mancha, poderiam dissuadir a jornada marítima dos refugiados. A ministra também propôs o uso de redes fossem para impedir os refugiados de chegar à ilha.

LEIA: 409 pessoas atravessam o Canal da Mancha, em recorde diário

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