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Ativistas são torturadas e estupradas nas cadeias sauditas, denuncia dossiê britânico

A próxima cúpula do G20, com sede na Arábia Saudita, entre 21 e 22 de novembro, enfrenta agora pressão cada vez maior para que líderes mundiais boicotem o evento, diante das denúncias de tortura e estupro nas cadeias sauditas contra ativistas civis

A próxima cúpula do G20, com sede na Arábia Saudita, entre 21 e 22 de novembro, enfrenta agora pressão cada vez maior para que líderes mundiais boicotem o evento, diante das denúncias de tortura e estupro nas cadeias sauditas contra ativistas civis.

O destino da mulheres presas tornou-se uma grande fonte de preocupação entre grupos de direitos humanos e parlamentares de diversos países, após uma série de relatos de abusos cometidos por oficiais sauditas, muitos dos quais próximos a Mohammed Bin Salman, príncipe herdeiro e governante de fato do país.

O último destes relatório foi preparado pela Baronesa Helena Kennedy de Shaws, conselheira da rainha. A advogada de direitos humanos reportou que mulheres ativistas são forçadas a beijar e realizar atos sexuais em custódia saudita.

O dossiê de 40 páginas, intitulado A Stain on World Leaders and the G20 Summit in Saudi Arabia (Uma mancha sobre os líderes mundiais e a Cúpula do G20 na Arábia Saudita) reivindica que os estados-membros boicotem a reunião do G20, neste fim de semana.

O relatório de Kennedy alerta que muitas das mulheres presas são “submetidas a tratamento equivalente a tortura, incluindo por indivíduos conectados intimamente ao príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, como Saud Al Qahtani e Khalid Bin Salman”.

Al Qahtani, segundo evidências, esteve envolvido diretamente no assasinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em outubro de 2018 – apesar do governo saudita tê-lo declarado inocente. Khalid Bin Salman é o irmão mais novo do príncipe herdeiro e ocupa o cargo de Ministro da Defesa.

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A denúncia de Kennedy relata que mulheres detidas na Arábia Saudita são forçadas a “conduzir atos sexuais nos interrogadores, além de outras formas de assédio sexual, como ao forçá-las a assistir pornografia”.

A advogada escocesa cita, por exemplo, uma fonte que relatou que Aida Al-Ghamdi – mãe do dissidente saudita Abdullah Al-Ghamdi, residente no Reino Unido – foi forçada a assistir pornografia pelos agentes penitenciários.

Diversas outras fontes relataram que as ativistas Loujain Al-Hathloul e Eman Al-Nafjan foram estupradas por seus interrogadores. Segundo o dossiê, o interrogatório de Al-Hathloul foi supervisionado pessoalmente por Al Qahtani, membro do círculo íntimo do príncipe herdeiro.

Conforme os relatos, Al Qahtani chegou a referir-se ao assassinato e desmembramento de Khashoggi, dentro consulado saudita em Istambul, Turquia, ao ameaçar uma das vítimas: “Farei com você o que eu bem quiser. Então vou esquartejá-la e dou a descarga”.

Kennedy exortou o governo britânico, ao lado de governos de todo o mundo, a preservar os padrões adequados de direitos humanos e “condenar publicamente o tratamento da Arábia Saudita sobre ativistas dos direitos das mulheres, ao reivindicar sua soltura imediata”.

Prosseguiu: “Caso a Arábia Saudita não o faça, o Reino Unido deve considerar seriamente o uso de sanções específicas, incluindo a suspensão de laços diplomáticos e econômicos, a fim de responsabilizar os culpados”.

Kennedy concluiu ao reiterar seu apelo aos líderes globais e estados do G20 para que não participem da reunião em Riad, no próximo fim de semana, a menos que as mulheres detidas sejam libertadas imediatamente.

“Aqueles responsáveis por tais prisões e violações graves, indicados no relatório, devem ser responsabilizados e sanções devem ser impostas a eles, incluindo contra o príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, além de Khalid Bin Salman e Saud Al Qahtani”, destacou Kennedy.

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