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Autoridades pedem 2 milhões EGP a empresários egípcios, para apoiar atos pró-Sisi

Homem egípcio beija uma fotografia do general Abdel Fattah el-Sisi, em manifestação pró-governo na Praça Tahrir, Cairo, Egito, 7 de julho de 2013 [Carsten Koall/Getty Images]
Homem egípcio beija uma fotografia do general Abdel Fattah el-Sisi, em manifestação pró-governo na Praça Tahrir, Cairo, Egito, 7 de julho de 2013 [Carsten Koall/Getty Images]

Autoridades do Egito pediram a diversos empresários do país um valor de 2 milhões de libras egípcias (EGP), equivalente a mais de US$120 mil, para conceder apoio a manifestações pró-Sisi, em troca de garantias contratuais, reportou exclusivamente a rede Egypt Watch.

Heshan Salem, proeminente empresário sob pseudônimo, que falou ao website sediado em Londres, relatou que oficiais de inteligência requisitaram uma reunião para então pedir a quantia, com a promessa de deferir contratos públicos, caso paga.

Dois outros empreiteiros egípcios corroboraram a denúncia à rede britânica, ao reportar a oferta de trabalho pelo exército e pela inteligência do Egito em troca de uma grande soma em dinheiro, mesma tática utilizada para reagir aos protestos contra o governo em 2019.

Em 20 de setembro deste ano, os egípcios voltaram a tomar as ruas contra o atual governo do Presidente Abdel Fattah el-Sisi, em particular, diante do alto custo de vida, políticas de austeridade econômica e campanhas de demolição de casas, que deixaram milhares de pessoas sem sequer meios de subsistência.

Em resposta, a inteligência geral do Egito organizou contramanifestações.

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Forças de segurança exortaram os líderes de partidos políticos e parlamentares a reunirem apoiadores. O Partido Futuro da Nação, que apoia o presidente, alugou diversos ônibus para levar manifestantes pró-governo à capital e ofereceu alimentação gratuita, em troca do apoio.

Segundo Hesham Salem, durante seu encontro com a inteligência, o oficial identificou o notório criminoso Sabry Nakhnoukh como a pessoa que receberia o dinheiro.

Nakhnoukh foi fundamental para reunir beltagayya (sicários contratados pelo governo) durante as eleições parlamentares e presidenciais de 2000. Cinco anos depois, sua rede já incluía milhares de capangas por todo o país.

Os beltagayya representam uma tática comumente utilizada pelos governos autoritários do Egito, ao contratar mercenários violentos para dispersar protestos e desencorajar manifestações.

Nakhnoukh era próximo do Ministro do Interior Habb Al-Adly e foi responsável por reunir beltagayya para a chamada “batalha dos camelos”, durante o levante que depôs o ex-ditador Hosni Mubarak, em 2011, quando homens montados atacaram protestos pró-democracia.

Embora preso, em agosto de 2012, e condenado a 25 anos de prisão por posse de armas e drogas, Nakhnoukh foi libertado sob perdão presidencial emitido por Sisi, em maio de 2018. Segundo a rede Egypt Watch, milhões foram pagos ao comitê responsável por sua soltura.

Na última rodada de manifestações populares, Nakhnoukh foi à página do Facebook de Mohamed Ali, dissidente e delator de graves casos de corrupção do governo de Sisi, para aparentemente ameaçá-lo: “Sei como lidar com você, seu traidor”.

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