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Surgem evidências de recente crime de guerra saudita no Iêmen

Crianças sobre os escombros de um edifício histórico, após desabamento parcial devido a fortes tempestades, na Cidade Velha de Sana’a, patrimônio da Unesco no Iêmen, 13 de agosto de 2020 [Mohammed Hamoud/Getty Images]
Crianças sobre os escombros de um edifício histórico, após desabamento parcial devido a fortes tempestades, na Cidade Velha de Sana’a, patrimônio da Unesco no Iêmen, 13 de agosto de 2020 [Mohammed Hamoud/Getty Images]

Uma investigação da emissora Sky News alega ter descoberto evidências de um potencial crime de guerra no Iêmen, cometido pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, com apoio dos Estados Unidos.

Segundo relatório, uma equipe investigativa viajou à remota aldeia de Washah, na província de Hajjah, norte do Iêmen, perto da fronteira saudita, onde um ataque aéreo da coalizão militar intervencionista atingiu uma residência familiar.

Como os primeiros “forasteiros” a chegar ao local, a equipe conversou com testemunhas e sobreviventes do ataque, que resultou em nove mortos, incluindo seis crianças. Segundo os relatos, nenhum homem adulto estava presente no ponto atingido. Apenas três pessoas sobreviveram: uma jovem mãe, seu bebê e filho adolescente.

A casa de barro e pedra pertencente à família Mujali foi reduzida a escombros; dentre a poeira, um babador de bebê e calças pequenas.

Uma testemunha descreveu partes de corpos caindo sobre seu telhado. Outros apontaram: “Uma perna caiu ali. Um braço caiu aqui”.

A sobrevivente, Nora Ali Muse’ad Mujali, que amamentava seu bebê no momento do bombardeio, relatou: “Procurei por minha filha [ao seu lado no instante anterior]. Mas ela estava morta. Então vi minha nora e também estava morta. Peguei meu filho e gritei por ajuda!”

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Segundo especialistas em armamentos, as imagens de fragmentos da bomba, registradas por vizinhos e parentes, mostram tratar-se de uma bomba guiada GBU-12, de 220 kg, fabricada nos Estados Unidos.

Um porta-voz da coalizão alegou que as autoridades militares estão investigando se trata-se de “perda acidental de vida civil” durante ataque aos rebeldes houthis.

A Equipe Conjunta de Análise de Incidentes (JIAT), instituída pela coalizão para investigar tais casos, declarou: “Sobre o caso [Washah], em 12 de julho de 2020, ainda estamos investigando; todas as descobertas serão anunciadas no fim de nosso inquérito.”

O último incidente ocorre em meio a novas críticas ao governo do Reino Unido sobre a venda de armas à Arábia Saudita. Parlamentares de oposição ao premiê Boris Johnson acusam seu governo de “vista grossa” diante de crimes de guerra.

A Força Aérea Real Saudita (RSAF), previamente acusada de ataques aéreos contra alvos civis, incluindo casamentos, hospitais e escolas, atualmente recebe treinamento em aeroportos civis na Escócia.

Segundo o jornal escocês The Sunday Post, pilotos sauditas nas bases aéreas britânicas de Valley e Cranwell, ambas em Lincolnshire, têm autorização para utilizar pistas civis durante lições de voo, onde exercitam investidas ar-solo.

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