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A Turquia pode se tornar uma superpotência

Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan assiste informativo sobre a descoberta de uma grande reserva de gás natural na costa do Mar Negro, durante coletiva de imprensa, no Palácio Dolmabahce, em Istambul, Turquia, 21 de agosto de 2020 [TCCN/Murat Çetinmühürdar/Agência Anadolu]
Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan assiste informativo sobre a descoberta de uma grande reserva de gás natural na costa do Mar Negro, durante coletiva de imprensa, no Palácio Dolmabahce, em Istambul, Turquia, 21 de agosto de 2020 [TCCN/Murat Çetinmühürdar/Agência Anadolu]

Após extensiva exploração, o Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan anunciou, com grande entusiasmo, na última sexta-feira (21), que seu país realizou a maior descoberta de gás natural de sua história. As reservas naturais descobertas no Mar Negro são estimadas em 320 bilhões de metros cúbicos.

Todavia, Erdogan declarou que a produção para uso comercial poderá ter início somente em 2023.

“A Turquia realizou a maior descoberta de gás natural de sua história”, afirmou Erdogan, conforme relatos da mídia local e internacional. O presidente turco destacou que as reservas ajudarão o país a representar um papel de divisor de águas no mercado enérgico. “Estamos determinados a solucionar nossa questão energética”, enfatizou Erdogan.

De fato, especialistas no setor energético acreditam que tais reservas de gás natural podem reduzir a conta da Turquia em importações, que chegaram a US$41 bilhões em 2019. A descoberta pode implementar a independência turca neste campo e pode, portanto, ajudar a interromper a queda nas reservas de moedas estrangeiras. A Turquia importa gás natural principalmente da Rússia, Azerbaijão e Irã.

Berat Albayrak, ministro da economia e genro de Erdogan, afirmou que o governo turco espera eliminar o atual déficit nas contas do estado.

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O próprio Erdogan não escondeu seu entusiasmo com tais descobertas e pareceu esperançoso de que pesquisadores turcos encontrem mais e mais reservas. Ao reportar as boas novas, destacou o presidente: “Não pararemos até nos tornarmos uma rede de exportação de energia”.

A Turquia não poderá, contudo, construir usinas nas profundezas do mar para retirar o gás natural de suas fontes, pois carece da expertise necessária para tanto. Até então, não obstante, foi capaz de buscar pelas reservas sem qualquer parceiro e somente com equipamentos turcos. Após as descobertas, especialistas e equipamentos turcos demonstraram capacidade para eventuais novos esforços.

Durante a declaração, Erdogan reiterou que seu país alcançou o êxito sem gastar milhões em empresas estrangeiras.

Vista aérea do barco de perfuração Fatih, sob a Ponte dos Mártires de 15 de Julho, em Istambul, Turquia, 29 de maio de 2020 [Muhammed Enes Yildirim/Agência Anadolu]

Vista aérea do barco de perfuração Fatih, sob a Ponte dos Mártires de 15 de Julho, em Istambul, Turquia, 29 de maio de 2020 [Muhammed Enes Yildirim/Agência Anadolu]

“Esta reserva de fato é parte de uma fonte muito maior. Se Deus quiser, muito mais virá adiante. Como um país que dependeu de fora para gás natural por anos e anos, olhamos agora para o futuro com maior segurança”, prosseguiu Erdogan.

Thomas Purdie, consultor da publicação Wood Magazine, afirmou: “Trata-se da maior descoberta da história da Turquia, com ampla margem, e uma das maiores descobertas globais de 2020”.

A partir de tais premissas e análises, podemos dizer que Turquia pode caminhar para se tornar uma superpotência, com independência plena. Esforços de Erdogan buscaram estender influência por todo o mundo. No âmbito cultural, isso se reflete no enorme número de turistas que visitam a Turquia anualmente.

Além disso, o país realizou conquistas significativas nos campos da tecnologia e indústria espacial e chegou a um novo clímax econômico ao exportar produtos para todo o mundo. Agora, está prestes a angariar sua independência energética.

A nova descoberta, no entanto, levará tempo para chegar ao mercado. A era de independência energética, por ora, ainda está distante para a Turquia, mas concede vantagens a Ancara para renegociar contratos referentes às importações de gás natural.

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É possível que as novas descobertas reduzam ainda as tensões entre Turquia e Grécia sobre esforços turcos para explorar hidrocarbonetos em águas do Mediterrâneo Oriental, reivindicadas pelo estado grego.

John Bowlus, do Centro de Energia e Desenvolvimento Sustentável na Universidade Kadir Has, em Istambul, alegou à rede TRT: “[A descoberta] é incrivelmente significativa à Turquia, pois é localizada no Mar Negro [território turco] em contraponto com o Mediterrâneo Oriental, assolado por todos os tipos de problemas geopolíticos.”

Após tais descobertas “históricas” de reservas naturais, Ancara expõe duas mensagens distintas. Uma a seus aliados: a Turquia trata-se de uma país forte e confiável; outra a seus adversários: a Turquia é forte o bastante para resistir sozinha a qualquer crise em potencial e não será afrontada tão facilmente.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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