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Islâmicos do Brasil celebram o Eid em isolamento social

Sheik Jihad Hammadeh em cerimônia inter-religiosa de encerramento de ano no Plenário Paulo Planet Buarque do Tribunal de Contas do Município de São Paulo . Em 23 de dezembro de 2019. [TCMSP]

Feriado que marca o final do jejum Ramadã, o Eid al–Fitr é celebrado anualmente nas mesquitas e casas islâmicas em todo mundo. Comemora-se no primeiro dia do mês de Shawwal, o décimo mês do calendário islâmico. que este ano cai no sábado, a partir do início da noite de 23 de maio até domingo, 24. Data voltada à confraternização e solidariedade, está entre as festas no Islã que são sempre “uma forma de incentivar os muçulmanos a fazer algo benéfico, espiritual, fisico ou material”, diz o sheik Jihad Hammadeh, presidente do Instituto Cinco Pilares e vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI).

A data também é comemorada no Brasil, embora não tão conhecida fora da comunidade muçulmana. O Brasil não tem a mesma tradição islâmica de outros países com maior presença da religião trazida pelos muçulmanos e nem toda comunidade possui sua mesquita. Mas a confraternização do Eid acontece em família e é um feriado para todos, por ter um sentido próprio de comunidade.

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Tradicionalmente, nas localidades onde é possível, haveria um ritual de ida à mesquita pela manhã, como explica o sheik. “Às vezes, no próprio local é servido café da manhã. Algumas comunidades alugam sítios ou utilizam seus clubes, onde passam todos passam o dia em confraternização.”

“Não fosse a pandemia, o primeiro local das atividades seria a mesquita, com a cerimônia do sheik e uma confraternização com café, e mais tarde, a ida a um sítio ou chácara”, explicou o responsável pela ação jovem da Mesquita do Tatuapé,Youssef Abdouni.

Crianças foram presenteadas em sistema drive-thru na Mesquita do Tatuapé.

Confraternização drive-thru

Mas mesmo nas comunidades que têm condições de se reunir, a celebração muda este ano em razão da pandemia do coronavírus.

Youssef Abdouni participa de um grupo de jovens muçulmanos e relata como a comunidade islâmica do Tatuapé, bairro da Zona Leste de São Paulo, lidou com as restrições de forma criativa. Jovens integrantes de seu grupo decidiram colaborar para que a confraternização desse lugar a ações para alcançar as famílias e alegrar as crianças. “Fizemos uma busca de contribuições, bem sucedida, e foi possível comprar brinquedos com boa qualidade para as crianças e flores para as mulheres. E um pouco reservamos para os refugiados sírios e de outros países.”

Com isso, um comunicado foi enviado às famílias que ajudaram a divulgar a iniciativa na comunidade, convidando a todas para se dirigirem de carro à área de mesquita na sexta-feira, levando as crianças para receberem os presentes em sistema de drive-thru.

A alternativa de celebrar o feriado dentro do lar, este ano tornou-se uma opção para todos. “Quase todas as mesquitas estão fechadas, e não são realizadas reuniões, nem com poucas pessoas.” – diz

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Em mensagem, o sheik Jihad Hammadeh recomenda aos muçulmanos respeito ao isolamento social. Diante da situação de pandemia, ele explica, “a religião é evidentemente maleável, para que as pessoas possam fazer a oração em suas casas, com seus familiares, dentro do próprio isolamento.”

O sheik alerta que o vírus coloca em risco a vida das pessoas, especialmente das mais idosas, e orienta: “É uma questão de responsabilidade religiosa cuidarmos de nossos entes queridos, cuidarmos de nossa saúde e nos colocarmos em situação de risco. Por isso o isolamento é de extrema importância, e seguir a orientação dos médicos e dos órgãos de saúde e da saúde da sociedade É um dever de todo muçulmano dentro das religiões.

Ele também adverte que, “se há uma determinação para ficar em casa e a pessoa achar que não precisa, que não está contaminada, ela está desobedecendo os médicos, os líderes e, desta forma também estará desobedecendo a Deus e à religião. Isto para nós é muito sério porque preservar a vida é muito imporante. ” Ele cita o Corão que diz que não se pode colocar a vida em risco.

Ao mesmo tempo, o sheik Hammadeh parabenizou a comunidade islâmica por sua adaptação a estes tempos difíceis. Reiterou que a fé é um instrumento fundamental para conceder estabilidade em momentos extraordinários. Destacou o papel comunitário de cada indivíduo: “somos agentes responsáveis por ajudar nossa sociedade, para não prejudicar ninguém e se apoiar, inclusive, na tecnologia, nos instrumentos que temos hoje para matar a saudade”.

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