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Líbano inicia negociações com o FMI; bancos constroem barricadas contra protestos

Manifestantes e forças de segurança entram em confronto em frente a agências bancárias de Beirute, capital do Líbano, em 28 de abril de 2020 [Houssam Shbaro/Agência Anadolu]

Nesta quarta-feira (13), o governo do Líbano deu início a negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo informações do jornal Al-Joumhouria. As negociações serão “longas e árduas”, conforme análises, realizadas por videoconferência. Participantes incluem o gabinete do primeiro-ministro, Banco Central e presidência do país.

O Primeiro-Ministro Hassan Diab requisitou oficialmente assistência do FMI em 1° de maio, após o gabinete aprovar por unanimidade um plano de resgate econômico nacional. O governo libanês deseja obter socorro no valor de US$10 bilhões, para ajudar Beirute a enfrentar sua pior crise financeira desde o fim da guerra civil, em 1990.

Observadores, no entanto, questionam a disponibilidade do empréstimo do FMI. Alguns itens do plano “podem dificultar seu avanço, enquanto outros são precipitados demais devido ao objetivo de concluir logo seus preparativos e mover-se rapidamente para a fase de negociação com o FMI”, reportou o Al-Joumhouria.

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Um dos problemas da proposta está em depender amplamente da generosidade internacional. Não apenas escora-se nos US$10 bilhões obtidos do FMI, como também em US$11 bilhões em empréstimos condicionados a reformas econômicas, prometidos pela comunidade internacional em conjuntura distinta, no ano de 2018.

Sucessivos governos libaneses fracassaram em implementar as reformas requisitadas para liberar tais recursos de US$11 bilhões. Portanto, há receios de que as pré-condições a um eventual resgate do FMI também sejam comprometidas por vontade política e eficácia econômica das partes relevantes.

Segundo reportagem da Al Jazeera, o FMI poderia exigir controle formal de capital financeiro para substituir restrições informais impostas a bancos, desde novembro, à medida em que força uma desvalorização oficial da moeda em relação ao dólar.

O governo em Beirute também pode ser forçado a vender recursos públicos, reestruturar seu débito e reformar seu sistema previdenciário. Somente após tais reformas impopulares, poderia obter recursos contingentes do FMI.

As mesmas reformas, no entanto, não devem proteger investidores no setor financeiro do país, conforme acumulam-se perdas estimadas em até US$70 bilhões, graças a recursos condicionados à carteira de crédito.

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Além disso, negociações com o FMI devem começar ao passo que fotografias e vídeos surgem nas redes sociais de bancos libaneses construindo barricadas em torno de seus edifícios.

A construção de barricadas é uma evidente reação aos protestos populares crescentes das últimas semanas, que incluem ataques contra agências bancárias. É bastante improvável que tais ações do governo inspirem confiança nos clientes e consumidores. A aproximação do governo ao FMI é vista como último recurso para o governo libanês.

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