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Ex-chefe da UNRWA culpa EUA e Israel por sua demissão

Pierre Krahenbuhl, ex-comissário geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) na cidade de Gaza. Em 27 de agosto de 2019 [Mustafa Hassona/Agência Anadolu]

A rede Al Jazeera informou ontem (18) que o ex-comissário geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), Pierre Krahenbuhl, culpou os EUA e Israel por sua renúncia.

Krahenbuhl disse que já estava claro, para ele, que pagaria o preço pela defesa da UNRWA e por refutar as reivindicações do embaixador de Israel na ONU.

Ele ressaltou que a investigação em andamento sobre a má administração de fundos relacionados ao trabalho da UNRWA está sendo concluída para fins políticos. E afirmou que foi afetado por aqueles que miram a UNRWA para atingir seus objetivos.

“Os refugiados palestinos”, disse ele, “foram submetidos à opressão histórica e eu reconheci várias vezes que sua dignidade deve ser protegida e que seus direitos devem ser defendidos”.

“Reconheci que a ajuda básica deve continuar fluindo para eles. Isso é reforçado pelo direito internacional. ”

Krahenbuhl ressaltou que a decisão dos EUA de interromper o financiamento anual de 300 milhões para a UNRWA em 2018 visava minar a causa dos refugiados palestinos e acabar com a UNRWA. “Quando o esforço dos EUA falhou, os ataques se tornaram diretamente políticos “, disse ele.

“Quando refutei as reivindicações dos representantes dos EUA e de Israel em relação a Gaza, ficou claro que isso nunca ficaria sem pagar o preço”, disse ele, afirmando que “elevar a voz, rejeitar a submissão à vontade americana e por vezes ao sarcasmo” levou ao silenciamento. ”

Ele enfatizou que sua demissão não têve relação com acusações contra si, as quais rejeita completamente.

“Sublinho que todas as decisões que tomei como diretor da agência foram baseadas em considerações éticas e decidi renunciar porque estou acima de todas essas políticas que dominam a investigação”, disse ele.

“No entanto, lidei com a investigação com absoluta transparência, devido à credibilidade do sistema da ONU que respeito e devido ao meu histórico profissional no campo do trabalho humanitário”.

Ele disse que partes da apuração vazaram e foram enviadas aos Estados membros antes que ele soubesse, o que viola os princípios da investigação.

“Na semana passada, fui informado de que o inquérito provou que não havia falsificação ou má administração e que todas as alegações sobre o relacionamento emocional com uma das consultoras eram infundadas”, disse ele.

Decisão dos EUA de cortar o financiamento da UNRWA – Cartum [Sabaaneh / MiddleEastMonitor]

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