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Putin afirma não possuir informações concretas sobre quem atacou as instalações de petróleo sauditas

Presidente da Rússia Vladimir Putin aperta a mão do príncipe saudita Mohammad bin Salman, durante encontro na Cúpula do G20, em Buenos Aires, Argentina, 1° de dezembro de 2018 [Mikhail Svetlov/Getty Images]

O Presidente da Rússia Vladimir Putin afirmou que Moscou poderá exercer um papel fundamental para acalmar as tensões regionais devido às suas boas relações com os estados sunitas do Golfo e o regime xiita do Irã, segundo informações são da agência Reuters. O comentário de Putin antecipou sua primeira visita à Arábia Saudita em mais de uma década.

Putin também declarou a emissoras árabes, em entrevista divulgada neste domingo (13), que não possui qualquer informação concreta sobre quem está por trás dos ataques cometidos em setembro contra refinarias de petróleo sauditas.

O movimento houthi do Iêmen chegou a assumir a responsabilidade pelos atentados de 14 de setembro, mas Riad e Washington acusaram Teerã.

O Irã negou qualquer responsabilidade pelos ataques de mísseis e drones que agitaram os mercados internacionais de petróleo e expuseram falhas consideráveis nas defesas aéreas da Arábia Saudita, o que levou os Estados Unidos a enviar cerca de 3.000 tropas adicionais à monarquia.

“É errado dizer quem é culpado antes de saber de modo claro e confiável quem está por trás deste ato,” alegou Putin, reiterando que concordou em auxiliar nas investigações.

Segundo transcrição para o idioma árabe fornecida pela rede de televisão estatal saudita Al Arabiya, Putin afirmou: “Nós não sabemos. No dia seguinte, perguntei ao chefe do serviço de inteligência e ministro da defesa e ele me disse: ‘Nós não sabemos.’”

O presidente russo pousou na Arábia Saudita nesta segunda-feira (14) e então seguirá viagem aos Emirados Árabes Unidos na terça-feira (15).

As tensões na região do Golfo se intensificaram desde maio de 2018, quando a administração do presidente americano Donald Trump decidiu revogar unilateralmente um acordo nuclear internacional estabelecido com Teerã em 2015, a fim de determinar limites ao programa nuclear iraniano em troca de suspender sanções.

Conforme Trump retomou as sanções americanas e voltou a pressionar a economia iraniana, uma série de ataques então ocorreu contra rotas de petróleo em águas sauditas e no Mar do Golfo. Washington e seus aliados próximos acusam o Irã, mas este nega qualquer responsabilidade.

Putin alegou que tais ataques somente fortaleceram a cooperação entre os produtores de petróleo dentro e fora da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), aliança conhecida como OPEP+. O presidente russo também reiterou que seu país trabalhará com os aliados para reduzir as tentativas de desestabilizar os mercados de petróleo.

Putin afirmou que possui “relações pessoais bastante amistosas” com Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro e governante de fato da Arábia Saudita, elogiado por apoiadores devido a suas promessas de diversificar a economia, dependente do petróleo, e modernizar a sociedade saudita. Salman, entretanto, enfrenta críticas em todo o mundo pela devastadora guerra no Iêmen e diversos abusos de direitos humanos, incluindo a morte do jornalista Jamal Khashoggi, em outubro de 2018.

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