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Michelle Bachelet condena o uso israelense de munição real contra manifestantes de Gaza

Palestino ferido é carregado após forças israelenses atirarem contra os manifestantes da Grande Marcha do Retorno, em Gaza, 13 de abril de 2018 [Ali Jadallah/Agência Anadolu]

Michelle Bachelet, Alta-Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, renovou suas críticas ao uso de violência letal por parte de forças israelenses contra manifestantes palestinos na Faixa de Gaza.

Ao discursar no início da 42ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, nesta segunda-feira (9), Bachelet condenou a resposta das autoridades israelenses aos protestos e atualizou a comunidade internacional sobre os acontecimentos vigentes desde 22 de março de 2019.

Desde então, segundo Bachelet, as forças da ocupação de Israel mataram treze palestinos, incluindo cinco crianças, ao utilizar munição real, gás lacrimogêneo, balas de borracha, canhões de água e dispositivos acústicos contra os manifestantes que participavam dos protestos da Grande Marcha do Retorno.

A alta-comissária da ONU acrescentou que “centenas de outros, incluindo profissionais de saúde e jornalistas, foram feridos”, incluindo muitos casos de “deficiências permanentes” causadas pelas agressões. No total, desde a data exposta, 859 palestinos foram feridos somente pelo uso de munição real.

Segundo Bachelet, os ataques contínuos contra profissionais de saúde executados por forças israelenses resultaram em 45 socorristas feridos somente no perímetro da cerca que divide Gaza e Israel, incluindo vítimas “baleadas com munição real enquanto tentavam resgatar manifestantes feridos, embora fosse evidente o uso de uniformes paramédicos”.

Treze palestinos foram mortos desde março; no entanto, 189 outros civis palestinos também foram assassinados “nos doze meses anteriores”, reiterou Bachelet, incluindo 38 crianças.

“Na ampla maioria dos casos monitorados por meu escritório,” afirmou Bachelet, “não foi encontrada nenhuma indicação de que os manifestantes – incluindo crianças mortas ou seriamente feridas por munição real – representavam ameaça iminente de morte ou risco de ferimentos graves aos soldados israelenses, ou a qualquer outro indivíduo presente na ocasião.”

Bachelet denunciou ao Conselho que o uso de força letal por parte do exército israelense contradiz a lei internacional e, portanto, “equivale à supressão arbitrária do direito à vida”, e acrescentou: “Sob a lei humanitária internacional, é razoável que isso constitua um ato de assassinato intencional.”

A oficial do alto-escalão das Nações Unidas concluiu ao enfatizar a necessidade de Israel “conduzir investigações apropriadas sobre as mortes e ferimentos ocorridos durante as manifestações.”

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