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Delegação americana chega à Turquia para implementar a zona de segurança na Síria

Veículos militares das forças armadas turcas são despachados à fronteira com a Síria, em 10 de setembro de 2018 [Cem Genco/Agência Anadolu]

Nesta segunda-feira (12), uma delegação dos Estados Unidos chegou à Turquia para operar junto ao governo turco como apoio ao acordo estabelecido para a criação de uma zona de segurança no norte da Síria. O Ministério da Defesa em Ancara afirmou que seis oficiais americanos chegaram em Şanlıurfa, no sudeste do país, para instalar um centro de operações conjuntas como parte do acordo. O centro deve passar a funcionar “nos próximos dias.”

O acordo estabelecido entre Turquia e Estados Unidos na última semana garante o estabelecimento gradual de uma zona de segurança próxima à fronteira com a Síria, para lidar com os civis sírios que fogem do conflito. As operações previstas também incluem a expulsão das milícias curdas para longe da fronteira.

O movimento foi recebido com indignação pelo governo do presidente sírio Bashar Al-Assad. Para o regime, o acordo é “expansionista” e “agressivo”, e uma violação flagrante da soberania síria por Ancara e Washington. Entretanto, a maioria das partes envolvidas no conflito recebeu a proposta de forma positiva, pois evitou uma operação militar turca, ameaçada por Ancara caso as negociações não estabelecessem uma zona neutra.

Os representantes curdos também concordaram com o estabelecimento de uma zona de segurança, após visitas de comandantes militares americanos ao território curdo, no nordeste da Síria, e negociações com as Forças Democráticas da Síria (FDS) e as Unidades de Proteção Popular (YPG), realizadas em Ancara, nas últimas semanas.

Algumas das condições para o acordo impostos pela Turquia receberam oposição dos Estados Unidos; por exemplo, a premissa de que a zona neutra deveria ser livre de grupos curdos, como o YPG – que possui apoio americano. Além disso, discordaram a princípio da extensão da zona de segurança: Ancara exigia trinta a quarenta quilômetros, enquanto Washington desejava um limite de cinco a quinze quilômetros de expansão. A Turquia também desejava que somente suas forças mantivessem o controle do local, à medida que os Estados Unidos queriam igualmente o controle. As divergências em torno destes tópicos levaram ao adiamento das negociações com certa frequência, durante todo o mês de julho; apenas a ameaça de uma operação militar turca convenceu os Estados Unidos e os curdos a retomarem os diálogos.

Durante os oito anos de conflitos na Síria, grupos curdos assumiram o controle de grandes porções do território no norte e leste do país, apoiados e armados pelos Estados Unidos a partir de 2017, a fim de combater o chamado Estado Islâmico (Daesh). A Turquia, no entanto, opôs-se firmemente ao YPG, apesar do apoio americano, e conduziu anteriormente duas operações militares de larga escala – a Operação Escudo do Eufrates, em 2016, e a Operação Ramo de Oliveira, em 2018 –, com o objetivo de expulsar as milícia curdas de sua fronteira com a Síria.

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