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ONU contabiliza 100 mil pessoas detidas, sequestradas ou desaparecidas na Síria desde 2011

Homem sírio carrega uma menina ferida após ataques aéreos do regime sírio. Em 12 de julho de 2019 [Muhammed Said/ Agência Anadolu]

Mais de 100 mil pessoas na Síria teriam sido detidas, seqüestradas ou desaparecidas desde o início da guerra civil de oito anos, segundo disse ontem a subsecretária-geral para os Assuntos Políticos, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Rosemary DiCarlo fez a declaração durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU na qual pediu a todas as partes que atendessem ao apelo do órgão para libertar todos aqueles injustamente detidos, sem acusação, e para fornecer informações às famílias sobre seus entes queridos, como é exigido pela lei internacional.

Ela também informou ao conselho que o número de pessoas é pelo menos 100.000, era uma estimativa aproximada e que a ONU não conseguiu verificar o número exato por não ter tido acesso aos locais onde os detidos são mantidos na Síria. As informações e estatísticas provêm de relatos apoiados e confirmados pela Comissão de Inquérito sobre a Síria – autorizada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU (UNHRC) – e organizações de direitos humanos desde o início do conflito em 2011.

Presentes à reunião do conselho estavam indivíduos sírios e famílias que tiveram parentes sequestrados pelo regime, fornecendo ao corpo mais poderoso da ONU a chance de ouvir diretamente os afetados. Uma mulher síria chamada Amina Khoulani testemunhou que seus três irmãos foram levados pelo regime sírio oito anos atrás e morreram na prisão, seu marido foi detido por dois anos e meio e sobreviveu, e ela foi presa por seis meses.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas fracassou totalmente com os detidos sírios e suas famílias

Khoulani disse (dirigindo-se à ONU): “É sua responsabilidade proteger os sírios de um sistema que mata, tortura e detém ilegalmente seus próprios cidadãos, em violação sistemática do direito internacional”.

Em resposta aos testemunhos e à condenação da ONU às violações dos direitos humanos na Síria, o regime russo rejeitou o que chamou de “dados não checados e extremamente não objetivos sobre a situação na Síria”. O vice-embaixador de Moscou, Dmitry Polyansky, acrescentou que enquanto o regime sírio não tiver a chance de apresentar seus dados, os sírios que se opunham a ele e que ele chamava de “terroristas declarados” estavam “sendo apresentados como vítimas inocentes”.

Durante todo o conflito, e particularmente nos últimos meses, surgiram detalhes sobre a extensão dos sequestros, tratamento, más condições de prisão, estupro e tortura conduzidos pelo regime sírio contra civis inocentes. Em junho deste ano, a Rede de Direitos Humanos da Síria informou que mais de 14.000 civis na Síria foram torturados até a morte pelo regime de Assad e suas forças desde o início da guerra civil. Na semana passada, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos revelou que, apenas no mês de julho, 598 pessoas sofreram detenções arbitrárias, a maioria nas mãos do regime sírio.

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