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Partido de extrema direita de Israel lança campanha eleitoral pedindo a expulsão de palestinos

Michael Ben Ari, líder do Partido do Poder Judeu, em 23 de dezembro de 2010 [Gali Tibbon/AFP/Getty Images]

O partido político israelense de extrema-direita Otzma Yehudit (Poder Judaico) lançou a sua campanha eleitoral pedindo a expulsão dos palestinos para os seus “países de origem”.

A campanha foi lançada em Jerusalém para a eleição geral de Israel a ser realizada em 17 de setembro, uma vez que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não conseguiu formar uma coalizão governista após sua reeleição em 9 de abril.

“Queremos reassentar nossos inimigos em seus países […] nós lhes damos uma garrafa de água mineral e até um sanduíche. Nós encontramos em países de origem para onde eles podem ir.” – disse ao público o chefe do partido, Michael Ben Ari.

Otzma Yehudit tem uma história de incitação anti-palestina, tendo anteriormente apelado à expulsão de palestinos de Israel e dos territórios palestinianos ocupados (oPt). Seus membros são seguidores confessos do rabino extremista Meir Kahane, cujo partido Kach foi banido do Knesset nos anos 80. A ideologia de Kahane também inspirou o massacre de Baruch Goldstein, em 1994, na Mesquita Ibrahimi de Hebron, que deixou 29 fiéis muçulmanos mortos e dezenas de feridos.

Em março, o Comitê Central de Eleições de Israel ponderou sobre a possibilidade de proibir o partido Otzma Yehudit de participar da eleição de abril devido à sua retórica anti-palestina, sendo que a Suprema Corte decidindo apenas banir Ben Ari da lista de candidatos.

O chefe do partido criticou esta decisão no lançamento da campanha de ontem, dizendo: “eles nos disseram que [a retórica] é racista […] eles disseram que me desqualificaram por isso”.

O partido também anunciou que concorrerá sozinho à eleição de setembro sozinho, confirmando uma divisão com a União dos Partidos da Direita (URWP) – uma aliança de direita dos partidos Casa Judaica e da União Nacional – com a qual havia um acordo na eleição de abril.

Esse acordo fracassou depois que o líder da URWP, Rafi Peretz, e o número dois do partido, Bezalel Smotrich, se recusaram a deixar seus assentos no Knesset para permitir que o candidato de Otzma, Itamar Ben Gvir, sentasse no parlamento como havia sido prometido anteriormente.

A lei israelense permite que qualquer membro do Knesset (MK) que ocupe uma posição ministerial abdique do seu assento no Knesset, abrindo assim espaço para candidatos de posição inferior do partido. Embora Peretz e Smotrich tenham sido nomeados ministros da educação e do transporte, respectivamente, eles não deixaram seus lugares para Ben Gvir.

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